Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Saúde / Nutrição

Deficiência de vitamina B12 pode afetar memória, equilíbrio e sistema nervoso

Problema nem sempre provoca anemia e pode causar alterações neurológicas permanentes quando o diagnóstico e o tratamento ocorrem tardiamente

27/07/2026

07:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A deficiência de vitamina B12 costuma ser associada à anemia, mas seus efeitos podem atingir o cérebro, os nervos e diferentes funções do organismo. Em alguns casos, alterações neurológicas aparecem antes mesmo de mudanças significativas no hemograma, o que pode atrasar a identificação do problema.

Também conhecida como cobalamina, a vitamina participa da produção das células sanguíneas, da síntese do DNA e da manutenção do sistema nervoso. Ela ainda contribui para a formação da mielina, camada que protege as fibras nervosas e permite a transmissão adequada dos impulsos pelo corpo.

Como o fígado armazena quantidades relevantes da vitamina, a deficiência pode evoluir lentamente durante meses ou anos. Os sintomas iniciais são frequentemente vagos e podem ser confundidos com estresse, envelhecimento, alimentação inadequada ou outras condições clínicas.

Sintomas vão além do cansaço

Entre as manifestações mais comuns estão fraqueza, fadiga, palidez, falta de ar, dificuldade de concentração e perda de disposição. Também podem surgir formigamentos nas mãos e nos pés, perda de sensibilidade, alterações de equilíbrio, falhas de memória e mudanças de humor. 

A deficiência prolongada pode provocar danos aos nervos e à medula espinhal. Parte dessas alterações pode não ser completamente revertida quando o tratamento começa tardiamente, o que reforça a importância de buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes. 

A ausência de anemia não exclui o diagnóstico. Diretrizes clínicas recomendam considerar o histórico do paciente, os sintomas e os fatores de risco, sem depender exclusivamente de uma alteração no hemograma. 

Absorção depende do estômago e do intestino

A vitamina B12 obtida pela alimentação precisa passar por diferentes etapas até ser absorvida. No estômago, ela se liga ao fator intrínseco, uma proteína produzida pela mucosa gástrica. O complexo segue até a porção final do intestino delgado, onde a vitamina entra na circulação.

Por essa razão, algumas pessoas podem desenvolver deficiência mesmo consumindo carnes, ovos, leite ou outros alimentos ricos no nutriente. Doenças do estômago, alterações intestinais e cirurgias que reduzem a capacidade de absorção estão entre as principais causas.

Quem apresenta maior risco

O grupo de risco inclui idosos, veganos sem suplementação, pessoas submetidas à cirurgia bariátrica e pacientes com doença celíaca, doença de Crohn ou retirada de parte do intestino.

A deficiência também pode ocorrer em pessoas com anemia perniciosa, condição autoimune que compromete a produção ou a ação do fator intrínseco. O uso prolongado de metformina e de medicamentos que reduzem a acidez do estômago, como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, também merece acompanhamento clínico. 

A exposição frequente ao óxido nitroso, conhecido como gás hilariante, pode inativar a vitamina B12 e provocar sintomas neurológicos. Nesses casos, além da reposição, a orientação clínica inclui a interrupção do uso recreativo da substância. 

Exames precisam ser avaliados em conjunto

A medição da vitamina B12 sérica costuma ser o primeiro exame solicitado, mas o resultado isolado nem sempre confirma ou descarta a deficiência. Valores próximos ao limite podem exigir investigação complementar.

Entre os exames adicionais estão a holotranscobalamina, que representa a fração ativa da vitamina, o ácido metilmalônico e a homocisteína. A interpretação deve considerar sintomas, alimentação, medicamentos, cirurgias anteriores e doenças que dificultem a absorção. 

Reposição varia conforme a causa

O tratamento é feito com reposição de vitamina B12, mas a dose, a duração e a via de administração dependem da origem e da gravidade do quadro.

Quando o problema resulta principalmente de ingestão insuficiente, a suplementação oral pode ser adequada. Nos casos de má absorção, anemia perniciosa, cirurgia bariátrica ou manifestações neurológicas importantes, o médico pode indicar doses orais elevadas ou aplicações intramusculares. 

A suplementação não deve substituir a investigação da causa. Em algumas situações, o tratamento precisa ser mantido por longo prazo ou por toda a vida.

Alimentação ajuda na prevenção

As principais fontes naturais de vitamina B12 são alimentos de origem animal, como carnes, peixes, frutos do mar, frango, ovos, leite e derivados. Pessoas que seguem dieta vegana precisam obter o nutriente por alimentos fortificados ou suplementação orientada. 

Mesmo sendo considerada uma vitamina de baixa toxicidade, a suplementação sem necessidade não é recomendada. Níveis elevados no sangue também devem ser interpretados pelo profissional de saúde, especialmente quando não há uso de suplementos.

Diante de cansaço persistente, formigamentos, perda de equilíbrio, alterações de memória ou presença de fatores de risco, a recomendação é procurar avaliação médica ou nutricional. O diagnóstico precoce amplia a possibilidade de recuperação e reduz o risco de sequelas.

Texto-base de Adriana Stavro, nutricionista, mestre pelo Centro Universitário São Camilo, com formação em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School e especializações em doenças crônicas, nutrição clínica funcional e fitoterapia.


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