Política / Campo
Lula deve voltar ao Assentamento Itamarati em MS pela terceira vez
Área em Ponta Porã já recebeu o presidente em 2003 e 2016, além de visita de Jair Bolsonaro durante a pré-campanha de 2022
07/06/2026
13:30
DA REDAÇÃO
Em sua última visita, em 2016, Lula posou ao lado de produtor de hortaliças na fazenda que antes percentia ao rei da soja
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve visitar novamente o Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, no sul de Mato Grosso do Sul. A agenda, ainda em fase de definição, marcará a terceira passagem de Lula pelo local, considerado por aliados petistas um dos principais símbolos da reforma agrária no país.
A informação foi confirmada pelo deputado federal Vander Loubet (PT), pré-candidato ao Senado. Segundo ele, a vinda do presidente está acertada, mas a data e o formato da programação ainda serão definidos. “Confirmou que vem e ainda está definindo a data. Muito provável que definam esta data na segunda-feira, 8 de junho, e o tamanho da agenda”, afirmou o parlamentar.
O Assentamento Itamarati tem forte peso político e histórico. A área foi criada durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, depois da divisão de terras da antiga Fazenda Itamaraty, que pertenceu ao empresário Olacir de Moraes, conhecido nacionalmente como o “rei da soja”. Ao longo dos anos, quase 3 mil famílias foram beneficiadas pelo processo de reforma agrária.
Lula esteve no assentamento pela primeira vez em 18 de março de 2003, menos de três meses após assumir seu primeiro mandato como presidente. Na ocasião, chegou a pilotar uma colheitadeira de milho e recebeu a doação de 15 toneladas do grão, produzidas por pequenos agricultores, para o programa Fome Zero, uma das principais marcas sociais do início de seu governo.
A segunda visita ocorreu em 24 de agosto de 2016, poucos dias antes da conclusão do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado. O ato em Ponta Porã teve forte tom político e serviu como mobilização de lideranças do PT, movimentos sociais e integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em defesa do mandato de Dilma.
O mesmo assentamento também recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 29 de março de 2022, durante o período de pré-campanha à reeleição. Na visita, foram entregues 2.667 títulos de propriedade rural a beneficiários da reforma agrária que vivem no local. Na mesma ocasião, também foi anunciada a concessão de 8.330 documentos de titulação, entre provisórios e definitivos, em 164 áreas de reforma agrária de 51 municípios de Mato Grosso do Sul.
A nova passagem de Lula por Mato Grosso do Sul deve ocorrer em meio à movimentação eleitoral no Estado. Conforme Vander Loubet, a agenda poderá dar maior visibilidade a aliados locais, entre eles o pré-candidato ao governo Fábio Trad, além de reforçar a pauta da agricultura familiar, dos assentamentos e das políticas públicas voltadas ao campo.
A última visita do presidente ao Estado ocorreu em 22 de março de 2026, quando participou da abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Antes disso, Lula esteve em Ribas do Rio Pardo, em dezembro de 2024, em evento simbólico de inauguração da fábrica de celulose da Suzano, e em Corumbá, em 31 de julho de 2024.
A escolha do Assentamento Itamarati também contrasta com a agenda de seu principal adversário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. No dia 9 de abril, Flávio participou da abertura da 86ª Expogrande, em Campo Grande, evento ligado ao setor agropecuário e frequentado por representantes da pecuária e da agricultura.
Durante a feira, o senador fez um passeio a cavalo acompanhado por apoiadores. Desde então, tem percorrido eventos agropecuários em diferentes regiões do país, incluindo agendas em Sinop (MT), Brasília, São Paulo, Minas Gerais e, na próxima terça-feira, 9 de junho, deve participar de uma feira em Luiz Eduardo Magalhães, importante polo do agronegócio no oeste da Bahia.
A possível visita de Lula ao assentamento deve recolocar Ponta Porã e a região de fronteira no centro do debate político nacional. Para os aliados do presidente, o local representa a força da agricultura familiar e da reforma agrária. Para o cenário eleitoral, a agenda pode funcionar como contraponto às articulações da oposição junto ao agronegócio e aos grandes eventos rurais.
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