Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Justiça

Após perder mandato na Alems, Neno Razuk agradece eleitores e trata saída como fim de ciclo

Ex-deputado não concedeu entrevista e enviou nota após retotalização dos votos confirmar perda da cadeira para o PSDB

21/05/2026

09:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), se manifestou nesta quinta-feira (21) após a retotalização dos votos das eleições de 2022 confirmar a perda de sua cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Procurado pela imprensa, ele não concedeu entrevista, mas encaminhou uma nota em tom de despedida.

No texto, Neno Razuk agradeceu aos eleitores, fez um balanço do período em que exerceu mandato parlamentar e classificou a saída como o encerramento de um ciclo. Antes mesmo da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o ex-deputado já havia deixado Campo Grande e retornado a Dourados, sua principal base eleitoral.

A manifestação foi assinada pelo próprio político e não por sua defesa. Na nota, Neno não citou os processos criminais ligados à Operação Successione, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), nem a condenação em primeira instância já proferida contra ele.

O foco da declaração ficou na atuação parlamentar e nas bandeiras defendidas durante quase oito anos de mandato na Assembleia.

Hoje encerro um ciclo de quase 8 anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Agradeço, de coração, aos 17.023 eleitores que confiaram em mim. Cada voto foi honrado com muito trabalho e responsabilidade”, afirmou.

Na mesma manifestação, o ex-parlamentar disse deixar o cargo com a sensação de ter atuado em defesa de causas sociais, especialmente no atendimento a pessoas com deficiência e neurodivergentes.

Levo comigo a certeza de que lutei por causas importantes, especialmente pelas pessoas com deficiência, pelo TEA (Transtorno do Espectro Autista) e pelos neurodivergentes”, declarou.

A saída de Neno Razuk ocorre depois que a Justiça Eleitoral determinou a retotalização dos votos do PL na eleição para deputado estadual de 2022. Com a anulação de votos da legenda, o partido perdeu uma vaga na Assembleia, que passou ao PSDB. O beneficiado pela nova composição é o suplente João César Mattogrosso.

A mudança atingiu diretamente a cadeira ocupada por Neno Razuk. Com a retotalização, o PL perde espaço na Alems, enquanto o PSDB amplia sua bancada no Legislativo estadual.

A despedida pública do ex-deputado ocorre em meio a um cenário jurídico mais complexo. Fora do mandato, Neno Razuk deixa de contar com a prerrogativa de foro vinculada ao cargo de deputado estadual. Na prática, os processos criminais passam a tramitar na primeira instância, sem a proteção processual decorrente do mandato parlamentar.

A perda do cargo, porém, não implica prisão automática. Como ainda há possibilidade de recursos, eventual prisão antes do trânsito em julgado dependeria de decisão cautelar, como prisão preventiva, desde que fundamentada em requisitos legais concretos pelo juiz responsável.

Neno Razuk foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão em processo relacionado à Operação Successione. A sentença foi proferida pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, por crimes como organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho.

A Operação Successione investiga um suposto esquema de exploração do jogo do bicho, lavagem de dinheiro e corrupção em Mato Grosso do Sul. Em fase mais recente, a 4ª Vara Criminal realizou audiência de instrução com réus apontados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) como integrantes do grupo investigado.

Além de Neno Razuk, familiares e outros investigados aparecem em desdobramentos da operação. Entre os nomes citados estão Roberto Razuk, pai do ex-deputado, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

Como os processos ainda têm recursos e etapas pendentes, as acusações apresentadas pelo MPMS devem ser tratadas como imputações em apuração judicial, sem caráter definitivo até o encerramento das ações e o trânsito em julgado das decisões.


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