Campo Grande (MS), Domingo, 07 de Junho de 2026

Saúde / Legislativo

Ulisses Rocha será ouvido por vereadores após fala sobre “boicote” na entrega de medicamentos

Secretário de Governo terá reunião na Câmara na quinta-feira; requerimento de convocação foi rejeitado por 20 votos a 4

12/05/2026

13:00

DA REDAÇÃO

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O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, deverá prestar esclarecimentos a vereadores de Campo Grande após afirmar que servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) estariam “sabotando” o abastecimento de medicamentos nas unidades de saúde da Capital.

A reunião foi marcada para quinta-feira, 14 de maio, antes da sessão ordinária da Câmara Municipal, prevista para começar às 9h. A ida do secretário ao Legislativo ocorre após repercussão das declarações dadas em entrevista à Rádio FM Cidade 97, em meio a denúncias recorrentes de falta de medicamentos nos postos de saúde.

O tema gerou debate durante a sessão desta terça-feira, 12 de maio de 2026, quando a vereadora Luiza Ribeiro (PT) apresentou requerimento pedindo explicações formais sobre a fala de Ulisses. No documento, a parlamentar citou trechos da entrevista em que o secretário afirmou que mais de 80% dos medicamentos estariam sendo entregues nas unidades, mas que haveria “boicote” e servidores “sabotando a administração”.

Ao defender o pedido, Luiza Ribeiro classificou a declaração como grave e cobrou que a Prefeitura apresente provas concretas, caso a acusação tenha base em investigação interna.

“É muito grave a afirmação feita pelo secretário. Por isso, a convocação dele para estar aqui na Câmara é fundamental, para que justifique e esclareça exatamente o que está acontecendo. Primeiro, se essa fala tem fundamento em algum processo administrativo instaurado pela Prefeitura, que indique o nome, a unidade, a data e qual medicamento teria sido negado pelo servidor. Ele precisa vir aqui e dar essas justificativas”, afirmou a vereadora.

A iniciativa provocou reação da base da prefeita Adriane Lopes (PP). O líder do Executivo na Câmara, vereador Beto Avelar (PP), criticou o requerimento e classificou a proposta como “politicagem”. Segundo ele, Ulisses já teria informado a existência de procedimento aberto contra servidor e se colocado à disposição para conversar com os parlamentares.

“O Ulisses disse que já existe procedimento aberto contra servidor. Agora, se a gente for começar a fazer política, se eu não me engano, a eleição é só em outubro”, declarou Beto Avelar.

O líder da prefeita também afirmou que o secretário é acessível e costuma frequentar a Câmara Municipal. Beto informou que conversou com Ulisses e acertou a reunião para quinta-feira, antes da sessão ordinária.

Com a reunião já agendada, vereadores da base e de outros partidos defenderam a rejeição do requerimento formal. Entre os parlamentares que se posicionaram contra estavam Professor Riverton (PP), Dr. Victor Rocha (PSDB), Neto Santos (Republicanos), Herculano Borges (Republicanos), Ronilço Guerreiro (Podemos), Flávio Cabo Almi (PSDB), Junior Coringa (MDB), Carlão (PSB), Wilson Lands (Avante) e André Salineiro (PL).

Para Herculano Borges, a convocação formal só seria necessária caso o secretário não comparecesse ao convite já feito pelos vereadores.

“Caso o secretário não venha, embora ele já tenha se prontificado, aí cabe uma convocação. Mas o primeiro passo é o convite. Então, considero desnecessário um documento com esse conteúdo, até porque o secretário Ulisses é um dos que mais está presente nesta Casa”, afirmou.

O requerimento acabou rejeitado por 20 votos contrários e 4 favoráveis. Votaram a favor da proposta os vereadores Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP), Jean Ferreira (PT) e Landmark.

Durante a discussão, Landmark defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os problemas na saúde municipal. Segundo ele, há relatos de medicamentos disponíveis no almoxarifado, mas que não chegam às farmácias das unidades.

“Contratos estão deixando de ser pagos, mas no almoxarifado há medicamentos. Só que, nas farmácias das unidades, eles não chegam. Então eu acredito que, de fato, precisamos de uma CPI da saúde para entender o que está acontecendo com essa falta de medicamentos”, afirmou.

A reunião de quinta-feira deve concentrar as cobranças dos vereadores sobre a fala de Ulisses Rocha, a situação do abastecimento de medicamentos nas unidades de saúde e a eventual existência de procedimentos administrativos contra servidores da Sesau.


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