Trabalho / Economia
Governo lança campanha nacional pelo fim da escala 6x1 sem redução salarial
Proposta prevê jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso e impacto direto sobre milhões de trabalhadores no país
04/05/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O Governo do Brasil lançou uma campanha nacional em defesa do fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem apenas um dia de descanso. A proposta prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e busca consolidar o regime de cinco dias de trabalho para dois dias de repouso.
A campanha tem como eixo a ampliação do tempo livre do trabalhador, com foco em convivência familiar, descanso, lazer, cultura e qualidade de vida. Segundo o governo federal, a mudança pode beneficiar diretamente ao menos 37 milhões de pessoas no país.
Pela proposta, a jornada diária de 8 horas seria mantida, inclusive para trabalhadores em escalas especiais, mas o limite semanal passaria a ser de 40 horas. O texto também prevê dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos. A definição dos dias de descanso poderá ocorrer por meio de negociação coletiva, considerando as características de cada atividade econômica.
A campanha será veiculada em mídias digitais, televisão, rádio, jornais, cinema e imprensa internacional, com o slogan: “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”
De acordo com o governo, a proposta acompanha mudanças já observadas no mercado de trabalho, como o avanço tecnológico, a maior produtividade e a necessidade de equilibrar desempenho profissional com saúde física e mental. A avaliação é de que jornadas mais equilibradas podem reduzir afastamentos, diminuir a rotatividade e melhorar o rendimento dos trabalhadores.
O projeto apresentado pelo governo altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e legislações específicas para garantir aplicação ampla das novas regras. A medida alcançaria categorias regidas pela CLT e por normas especiais, incluindo domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas e outros trabalhadores.
Segundo dados citados pelo governo, o Brasil tem 50,2 milhões de trabalhadores celetistas. Desse total, 37,2 milhões cumprem jornada de 44 horas semanais, 26,3 milhões não recebem horas extras remuneradas, 14,8 milhões atuam em escala 6x1 e 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas também seguem esse modelo.
A proposta também é apresentada como uma medida de redução de desigualdades. O argumento do governo é que jornadas mais extensas se concentram entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, grupo mais exposto a desgaste físico, menor tempo de descanso e dificuldade de conciliar trabalho com vida pessoal.
Na área da saúde, o governo cita que o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho em 2024. A redução da jornada, segundo a campanha, poderia contribuir para diminuir quadros de estresse, ansiedade e esgotamento profissional.
No cenário internacional, a proposta aproxima o Brasil de experiências adotadas ou testadas em outros países. O Chile aprovou redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029, enquanto a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até o fim de 2026. Na Europa, modelos de 40 horas ou menos já são comuns em países como França, Alemanha e Holanda.
Estudos internacionais citados pelo governo apontam que experiências com jornadas menores em países como Islândia, Reino Unido, Portugal, Nova Zelândia e Japão registraram redução de burnout, queda nos níveis de estresse, melhora na saúde mental e maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Em alguns casos, empresas também relataram produtividade mantida ou ampliada, estabilidade de receitas e menor rotatividade.
Entre micro e pequenos empresários, pesquisa do Sebrae mencionada pelo governo indica que 91% conhecem a proposta e 46% afirmam que a mudança não impactaria o negócio. O levantamento foi realizado entre 19 de fevereiro e 6 de março de 2026.
O governo também cita nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro, segundo a qual os custos da redução da jornada para 40 horas semanais seriam semelhantes aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo. Em setores como indústria e comércio, que concentram mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto estimado seria inferior a 1% do custo operacional.
Na prática, a medida estabelece novo padrão para as relações de trabalho no país: limite de 40 horas semanais, manutenção do salário, ampliação do repouso remunerado, aplicação a diferentes categorias e preservação de escalas especiais, como a 12x36, desde que respeitada a média semanal de 40 horas e a negociação coletiva.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Hospital Alfredo Abrão lança ala de oncopediatria com apoio de famílias do agro
Leia Mais
Diretor da PF critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e diz que medida não muda atuação brasileira
Leia Mais
Inscrições do Enem 2026 são prorrogadas até 12 de junho
Leia Mais
Postos em shoppings atendem neste sábado apenas quem agendou emissão da CIN
Municípios