Saúde / Política
Câmara vota terceirização de unidades de saúde em Campo Grande sob protesto de manifestantes
Projeto-piloto prevê gestão por organização social nos CRSs Aero Rancho e Tiradentes durante 12 meses
30/04/2026
10:45
MIDIAMAX
DA REDAÇÃO
Plenário da Câmara de Vereadores está lotado ©Anna Gomes
A Câmara Municipal de Campo Grande recebeu manifestantes na manhã desta quinta-feira, 30 de abril de 2026, durante a votação em regime de urgência do projeto de lei que autoriza a terceirização da gestão de duas unidades de saúde da Capital.
Com cartazes contrários à chamada privatização da saúde, os manifestantes ocuparam as cadeiras do plenário para acompanhar a discussão entre os vereadores. Até o momento, o protesto segue de forma pacífica, sem registro de tumulto.
A proposta enviada pela Prefeitura de Campo Grande prevê um projeto-piloto para repassar a gestão de dois Centros Regionais de Saúde (CRSs) a uma Organização Social de Saúde (OSS). As unidades citadas são os CRSs do Aero Rancho e do Tiradentes.
Segundo o Executivo municipal, a experiência terá duração inicial de 12 meses. Durante esse período, os servidores municipais atualmente lotados nas unidades seriam remanejados para outros serviços da rede pública de saúde.
A prefeitura argumenta que a medida busca enfrentar o déficit de servidores e manter o atendimento à população diante das limitações impostas pelo limite prudencial de contratação e pelo decreto de contenção de gastos adotado no ano passado.
O modelo, no entanto, enfrenta resistência de trabalhadores da saúde, sindicatos e usuários do sistema público. Para os manifestantes, a transferência da gestão para uma entidade privada pode fragilizar o controle público, abrir caminho para a precarização dos serviços e reduzir a presença direta do município na administração das unidades.
Já a administração municipal sustenta que a proposta não representa venda ou fechamento das unidades, mas a adoção de um modelo de gestão por contrato, com metas, fiscalização e manutenção do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A votação em regime de urgência aumentou a tensão política em torno do tema. Críticos do projeto defendem mais tempo para debate, realização de audiências públicas e apresentação detalhada dos custos, metas, obrigações da organização social e impactos para servidores e usuários.
Caso seja aprovado, o projeto permitirá que a prefeitura avance na contratação da OSS responsável pela gestão das duas unidades. A implementação dependerá de etapas administrativas posteriores, como definição do contrato, regras de fiscalização e indicadores de desempenho.
A discussão ocorre em meio a um cenário de pressão sobre a rede municipal de saúde, com demanda crescente por atendimento, falta de profissionais em algumas áreas e necessidade de reorganização dos serviços de urgência e atenção básica.
A sessão deve seguir acompanhada por representantes da saúde, servidores, movimentos sociais e moradores das regiões atendidas pelos CRSs Aero Rancho e Tiradentes, que aguardam a definição dos vereadores sobre o futuro da proposta.

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