Saúde / Tecnologia
Hospital Regional de MS acelera diagnóstico de infecções com tecnologia inédita no Centro-Oeste
Equipamento MALDI-TOF identifica bactérias e fungos em menos de 24 horas e ajuda médicos a definir tratamento mais rápido
28/04/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) passou a utilizar uma tecnologia capaz de reduzir drasticamente o tempo de identificação de bactérias e fungos em exames laboratoriais. A unidade incorporou ao Laboratório de Análises Clínicas o equipamento MALDI-TOF, técnica avançada de espectrometria de massa que permite identificar microrganismos com alta precisão e em menor tempo.
Com a implantação, o HRMS se torna o único hospital público do Centro-Oeste equipado com essa tecnologia. A inovação representa um avanço importante para pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em casos de infecções graves, quando a rapidez no diagnóstico pode influenciar diretamente a evolução clínica.
Antes da chegada do equipamento, a identificação de bactérias e fungos poderia levar até cinco dias, dependendo do método utilizado e da complexidade do caso. Agora, o diagnóstico microbiano pode ser liberado em menos de 24 horas, permitindo que a equipe médica indique o tratamento mais adequado com maior agilidade.
Segundo a bióloga Eliane Borges de Almeida, gerente e responsável técnica do laboratório do HRMS, o principal ganho está na velocidade de resposta. Ela explica que métodos tradicionais costumam levar de 48 a 72 horas para identificar microrganismos, enquanto o MALDI-TOF pode entregar o resultado em poucos minutos após a preparação da amostra.
“Para um paciente em estado grave, como em casos de sepse, cada minuto conta para aumentar as chances de sobrevivência”, afirmou Eliane Borges de Almeida.
A identificação mais rápida do agente causador da infecção também contribui para o uso mais preciso de antibióticos. Com a informação laboratorial disponível em menos tempo, os médicos podem ajustar a medicação de forma direcionada, evitando o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro.
Esse ponto é considerado estratégico para a segurança do paciente e para o enfrentamento da resistência bacteriana, um dos principais desafios da medicina atual. O tratamento correto desde o início reduz riscos, melhora a resposta clínica e pode diminuir o tempo de internação.
A diretora técnica do HRMS, Patricia Rubini, destacou que os efeitos da tecnologia vão além do atendimento individual. Segundo ela, o diagnóstico rápido permite recuperação mais segura, libera leitos em menor tempo e melhora o uso dos recursos públicos.
“Quando o paciente recebe o tratamento com o antibiótico específico desde o primeiro dia, sua recuperação é mais rápida e segura. Isso significa alta mais precoce, mais leitos disponíveis para quem precisa e um uso muito mais responsável dos recursos do SUS”, afirmou a médica.
Para Patricia Rubini, o MALDI-TOF é uma conquista clínica e, ao mesmo tempo, uma ferramenta de gestão hospitalar. A redução no tempo de internação ajuda a ampliar a capacidade de atendimento da unidade e contribui para a organização da fila do SUS.
A chegada da tecnologia integra o processo de modernização do parque tecnológico do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, com foco em diagnóstico mais ágil, maior precisão laboratorial e melhoria da assistência aos pacientes da rede pública.
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