Saúde / Inovação
Hospital Cassems realiza neurocirurgias de alta complexidade com paciente acordado em Campo Grande
Técnica usada em áreas cerebrais ligadas à fala e ao movimento permite monitoramento em tempo real e busca preservar funções neurológicas durante a cirurgia
13/04/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Hospital Cassems, em Campo Grande, tem ampliado a realização de procedimentos de alta complexidade na área de neurocirurgia e, recentemente, executou com sucesso uma craniotomia com paciente acordado, técnica indicada em casos em que a lesão cerebral está localizada em regiões responsáveis por funções essenciais, como fala e movimento. O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Paulo Henrique Zanin, e uma nova intervenção do mesmo tipo já está programada para os próximos dias.
Diferentemente de uma cirurgia convencional sob anestesia geral durante todo o tempo, a craniotomia com paciente acordado é utilizada para permitir que a equipe médica avalie, durante o próprio procedimento, como o cérebro responde à manipulação cirúrgica. Esse tipo de abordagem é amplamente usado para maximizar a retirada da lesão e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de déficits neurológicos permanentes, especialmente em áreas eloquentes do cérebro, associadas à linguagem.
Segundo Paulo Henrique Zanin, a indicação mais importante para esse tipo de cirurgia ocorre quando a meta é preservar a fala do paciente no pós-operatório. De acordo com o especialista, diferentemente de outros órgãos, o cérebro apresenta variações anatômicas importantes entre os indivíduos, o que exige mapeamento funcional individualizado antes e durante a operação.
Para aumentar a precisão do procedimento, a equipe utiliza o sistema de neuroneavegação, tecnologia comparável a um “GPS intracraniano”, que permite localizar a lesão com alta exatidão a partir das imagens de ressonância magnética. Com isso, a intervenção pode ser concentrada na área estritamente necessária, reduzindo a manipulação do tecido cerebral saudável.
Outro elemento central da cirurgia é o suporte da neurofisiologia intraoperatória. Durante a operação, profissionais monitoram continuamente as respostas do sistema nervoso por meio de exames e estímulos, fornecendo retorno imediato ao cirurgião caso alguma estrutura cerebral sensível esteja sendo afetada. Esse monitoramento em tempo real é uma das bases da segurança do procedimento.
No caso das áreas de linguagem, a equipe interage diretamente com o paciente durante a cirurgia, utilizando testes específicos com auxílio de tablets, figuras e exercícios de nomeação, repetição e compreensão semântica. Quando aparece qualquer alteração na resposta, o cirurgião pode ajustar imediatamente a abordagem, buscando retirar a maior quantidade possível da lesão sem comprometer funções importantes. Esse tipo de mapeamento de linguagem é descrito na literatura especializada como uma das estratégias mais eficazes para reduzir sequelas funcionais.
Apesar de a ideia de permanecer acordado durante uma cirurgia cerebral causar estranhamento, o protocolo anestésico é cuidadosamente controlado. Em geral, o paciente permanece confortável e colaborativo, já que o cérebro em si não possui receptores de dor, enquanto as estruturas superficiais recebem anestesia adequada. Estudos e protocolos clínicos apontam que essa combinação entre sedação ajustada, mapeamento funcional e monitoramento neurofisiológico contribui para recuperação mais segura e para melhor preservação da qualidade de vida.
A realização frequente desse tipo de procedimento reforça o posicionamento do Hospital Cassems como unidade de referência em medicina de alta complexidade em Mato Grosso do Sul. Para a instituição, o avanço técnico resulta da integração entre corpo clínico especializado, anestesistas treinados, neurofisiologistas e estrutura tecnológica de ponta.
O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, afirmou que a regularidade desses casos demonstra o amadurecimento técnico do hospital e o compromisso da instituição em oferecer aos beneficiários acesso ao que há de mais avançado na medicina moderna.
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