Política / Homenagem
Câmara de Campo Grande suspende agenda para receber velório de Nelly Bacha no plenário
Ex-vereadora e primeira mulher a comandar a Prefeitura da Capital será homenageada pela Casa de Leis, que decretou luto oficial de três dias
09/04/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Câmara Municipal de Campo Grande cancelou a sessão ordinária e a audiência pública previstas para esta quinta-feira, 9 de abril, para viabilizar a realização do velório de Nelly Elias Bacha, ex-vereadora e ex-prefeita da Capital. A cerimônia de despedida ocorrerá no Plenário Oliva Enciso, em horário ainda a ser confirmado. A Casa de Leis também decretou luto oficial de três dias.
Nome histórico da política campo-grandense, Nelly Bacha morreu nesta quarta-feira, 9 de abril, aos 84 anos. Ela construiu uma trajetória marcante no Legislativo municipal e entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a assumir a chefia do Executivo de Campo Grande, ainda que de forma interina, em 1983.
A ex-parlamentar exerceu mandato como vereadora entre 1973 e 1988 e presidiu a Câmara nos anos de 1983 e 1984. Foi justamente nesse período que assumiu a prefeitura por pouco mais de dois meses, consolidando seu nome como uma figura de relevância na vida pública da Capital.
Antes de ingressar no Direito e na política, Nelly teve atuação forte na área da educação. Formada em Filosofia e em Direito, trabalhou como professora da rede pública e presidiu a ACP, sindicato que representa os profissionais da educação em Campo Grande. Na entidade, participou de mobilizações em defesa de direitos da categoria e da realização de concursos públicos.
Filiada ao MDB ao longo de toda a carreira, ela iniciou sua trajetória política pelo partido e tinha como referências nomes como Wilson Barbosa Martins, Plínio Barbosa Martins e Ulysses Guimarães. Ainda jovem, mudou-se com a família para Campo Grande, cidade onde construiu sua vida pessoal e política. Morava havia cerca de 60 anos em uma residência na Rua 15 de Novembro, na região central.
Nos últimos anos, enfrentava o avanço do Parkinson, diagnosticado há cerca de oito anos. Mais recentemente, estava acamada e recebia acompanhamento constante de cuidadoras. Segundo familiares, mesmo com as limitações impostas pela doença, permanecia lúcida e costumava recordar passagens de sua atuação pública.
Além da carreira política, o nome de Nelly Bacha também esteve ligado a um caso de injúria racial. Em 2020, ela foi condenada a um ano de reclusão, com a pena substituída pelo pagamento de um salário mínimo a uma instituição beneficente, após ofender uma mulher em uma fila de supermercado. Conforme o processo, a vítima formalizou a denúncia em 2014, e o relato foi corroborado por testemunhas.
Na ocasião, a defesa sustentou que a ex-prefeita era ré primária e tinha 79 anos à época da condenação. O episódio passou a integrar a biografia pública de uma personagem que, ao mesmo tempo em que ocupou lugar de destaque na história institucional de Campo Grande, também teve sua trajetória marcada por controvérsias judiciais.
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