Saúde / Bem-Estar
Dor de garganta no verão é comum? Especialista explica causas e quando procurar um médico
Ar-condicionado, ambientes fechados e infecções virais estão entre os fatores; sinais de alerta exigem avaliação especializada
08/01/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A dor de garganta costuma ser associada ao inverno, mas também é frequente durante o verão. O uso intenso de ar-condicionado, a permanência em ambientes fechados e a circulação de vírus respiratórios ajudam a explicar o aumento de casos nessa época do ano.
Quem esclarece é a otorrinolaringologista Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Segundo a médica, o calor reúne condições que favorecem processos inflamatórios e infecciosos das vias aéreas superiores.
“Mesmo no verão, é comum atender pacientes com dor de garganta causada por infecções virais, inflamações e fatores irritativos. Ambientes climatizados e pouco ventilados contribuem bastante para esses quadros”, explica.
De acordo com a especialista, as causas mais comuns incluem:
Infecções virais, como enterovírus e parainfluenza 3;
Infecções bacterianas, que podem provocar faringite e amigdalite;
Processos inflamatórios, como laringite;
Fatores irritativos, entre eles refluxo gastroesofágico, alergias, ar seco, fumaça e respiração oral.
O uso prolongado de ar-condicionado e ventiladores também merece atenção. “Quando os aparelhos não recebem manutenção adequada, podem dispersar poeira, ácaros e fungos, agravando quadros alérgicos e respiratórios e favorecendo a dor de garganta”, alerta a médica.
Apesar de ser um mito comum, não há comprovação científica de que bebidas geladas causem dor de garganta. “Algumas pessoas sentem alívio com líquidos frios, enquanto outras relatam piora. A reação varia de organismo para organismo”, esclarece a otorrinolaringologista.
Embora muitos casos sejam leves e autolimitados, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação especializada:
febre;
presença de pus na garganta;
dor de ouvido;
manchas vermelhas pelo corpo;
inchaço ou caroço no pescoço;
catarro com sangue;
dificuldade para abrir a boca, respirar ou engolir;
rouquidão persistente.
“Esses sintomas podem indicar infecção bacteriana ou complicações que exigem diagnóstico e tratamento adequados”, reforça Dra. Roberta Pilla.
O tratamento depende da causa. Infecções virais costumam regredir espontaneamente, com uso de analgésicos, anti-inflamatórios e pastilhas para alívio dos sintomas. Já infecções bacterianas, quando confirmadas, podem exigir antibióticos.
Medidas de apoio ajudam na recuperação. “Boa hidratação, repouso, sopas, chás — especialmente com mel e limão — contribuem para o alívio do desconforto”, orienta a especialista.
Os cuidados no verão são semelhantes aos do inverno. Entre as recomendações estão:
manter a vacinação contra a gripe em dia;
beber bastante líquido;
ter alimentação equilibrada;
evitar contato próximo com pessoas doentes;
priorizar ambientes limpos e bem ventilados;
usar ar-condicionado apenas com manutenção e higienização adequadas, além de umidificação correta do ambiente;
lavar as mãos com frequência;
manter boa higiene nasal;
evitar álcool, cigarro e falar em excesso.
“Pequenas mudanças de hábito fazem diferença na prevenção. O cuidado com a saúde respiratória deve acontecer o ano todo”, conclui a médica.
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