Interior / Terenos
TJMS prorroga por mais 90 dias uso de tornozeleira de prefeito afastado de Terenos e outros 14 investigados
Medida atende decisão do STJ e envolve investigados na Operação Spotless, que apura esquema milionário de corrupção
07/01/2026
08:08
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul homologou decisão do Superior Tribunal de Justiça e prorrogou por mais 90 dias o monitoramento eletrônico do prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), além de outros 14 investigados. Budke está afastado do cargo desde setembro de 2025.
A decisão foi assinada pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros, da Seção Especial Criminal, e publicada na edição desta quarta-feira (7) do Diário da Justiça Eletrônico. No despacho, o magistrado reforça que qualquer violação das regras do monitoramento eletrônico poderá resultar na decretação de prisão preventiva.
Além do prefeito afastado, permanecem submetidos à medida cautelar:
Arnaldo Santiago, empresário
Cleberson José Chavoni Silva, empresário
Eduardo Schoier, empresário
Fábio André Hoffmeister Ramires, policial militar e empresário
Fernando Seiji Alves Kurose, empresário
Genilton da Silva Moreira, empresário
Hander Luiz Correa Grote Chaves, empresário
Isaac Cardoso Bisneto, ex-secretário municipal de Obras e Infraestrutura
Leandro Cícero de Almeida Brito, engenheiro
Nádia Mendonça Lopes, empresária
Orlei Figueiredo Lopes, comerciante
Sandro José Bortoloto, empresário
Sansão Inácio Rezende, empresário
Valdecir Batista Alves, empresário
Em decisão separada, o vereador afastado Arnaldo Glagau (PSD) recebeu autorização judicial para realizar uma viagem. Como o processo tramita em sigilo, não foram divulgados o destino nem a data do deslocamento.
As investigações fazem parte da Operação Spotless, deflagrada em 9 de setembro de 2025 pelo Gaeco e pelo Gecoc. A ação teve como alvo um esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Terenos.
Na ocasião, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). Segundo o Ministério Público, Henrique Budke é apontado como líder da organização criminosa.
De acordo com a investigação, o grupo atuava em núcleos bem definidos, com servidores públicos e empresários envolvidos na fraude de licitações, direcionando contratos para empresas previamente escolhidas. Os editais eram elaborados sob medida, simulando concorrência legal.
Somente no último ano investigado, o prejuízo aos cofres públicos teria ultrapassado R$ 15 milhões. O esquema também envolvia pagamento de propina a agentes públicos que atestavam falsamente a entrega de produtos e serviços e aceleravam trâmites internos para liberação de pagamentos.
A Operação Spotless teve origem em provas colhidas na Operação Velatus, realizada em agosto de 2024, que confirmou o papel de liderança de Budke no esquema. O nome da operação faz referência à necessidade de processos administrativos “sem manchas” na gestão pública.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Henrique Budke e outras 25 pessoas à Justiça. Segundo a acusação, a organização criminosa atuava há anos para fraudar licitações e desviar recursos públicos.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal”, afirmou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior.
Budke chegou a ser preso, mas foi solto em setembro de 2025 após habeas corpus concedido pelo STJ. O afastamento do cargo, inicialmente voluntário, foi posteriormente referendado pelo Judiciário.
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