Política / Justiça
Durante internação, Bolsonaro solicita uso de antidepressivos após piora emocional, dizem médicos
Ex-presidente apresenta quadro clínico estável e pode receber alta nesta quinta-feira, após novos exames e procedimentos
01/01/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar a tentativa de golpe após as eleições de 2022, solicitou o uso de medicamentos antidepressivos durante sua internação no Hospital DF Star, em Brasília. A informação foi confirmada pela equipe médica que acompanha o ex-chefe do Executivo, que relata piora considerável do estado emocional em momentos de crises de saúde.
Internado desde 24 de dezembro, Bolsonaro passou, na quarta-feira (31), por um novo exame de endoscopia, que não registrou intercorrências. Segundo os médicos, o quadro clínico é estável, e a previsão de alta hospitalar está mantida para esta quinta-feira (1º), caso não haja alterações.
Nos últimos dias, Bolsonaro enfrentou crises persistentes de soluço, associadas a picos de hipertensão, o que levou à realização de três procedimentos cirúrgicos:
Sábado (27): bloqueio do nervo frênico direito
Segunda-feira (29): bloqueio do nervo frênico esquerdo
Terça-feira (30): procedimento de reforço dos dois bloqueios
De acordo com a equipe médica, o quadro é considerado raro e classificado como “soluços persistentes”. Após as intervenções, houve melhora, mas o problema ainda exige tratamentos não invasivos contínuos.
Além dos soluços, Bolsonaro foi diagnosticado com apneia do sono severa, com até 50 episódios por hora durante a noite, condição que também contribui para a elevação da pressão arterial. Para o controle do problema, o ex-presidente passou a utilizar o aparelho CPAP, que auxilia na respiração durante o sono.
Segundo os médicos, o impacto psicológico tem influência direta sobre o estado clínico. O cirurgião Cláudio Birolini afirmou que o próprio Bolsonaro solicitou o uso de antidepressivos durante a internação.
“O próprio ex-presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo. Então foi introduzido esse tratamento, e esperamos que comece a fazer efeito nos próximos dias”, afirmou o médico.
Birolini destacou ainda que o ânimo do paciente oscila e que há agravamento emocional nos momentos de crises prolongadas de soluço.
O boletim médico divulgado nesta quarta-feira aponta que a endoscopia revelou persistência de esofagite e gastrite, além de refluxo gastroesofágico. O cardiologista Brasil Caiado, integrante da equipe, explicou que a esofagite pode estar diretamente relacionada às crises de soluço.
O documento informa ainda que Bolsonaro segue:
Em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico
Em fisioterapia respiratória
Em uso de CPAP noturno
Sob medidas preventivas contra trombose
Após a alta, Bolsonaro deverá seguir com uso contínuo de medicamentos, cuidados com curativos cirúrgicos e orientações de autocuidado, como alimentação fracionada e evitar deitar após as refeições. Os médicos alertaram ainda para risco de quedas, em razão do uso do CPAP.
A internação e os procedimentos médicos foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, já que Bolsonaro cumpre pena na carceragem da Polícia Federal, no Distrito Federal.
Após a liberação médica, o retorno do ex-presidente à Superintendência da Polícia Federal dependerá de ajustes logísticos entre o hospital e a corporação.
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