Política / Economia
Haddad reage a tarifa de Trump e vê ato político: “Não há racionalidade econômica”
Ministro da Fazenda culpa família Bolsonaro por tensão com EUA e critica Tarcísio: “Ou é presidente, ou é vassalo”
10/07/2025
11:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (10) que a imposição de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma decisão política sem embasamento econômico. Em entrevista ao programa Barão Entrevista, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Haddad também culpou a família Bolsonaro pela escalada de tensão diplomática e atacou o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) por seu posicionamento diante do episódio.
“Essa decisão é eminentemente política. Não há racionalidade econômica no que foi feito ontem [quarta-feira]. O Brasil teve um déficit de mais de US$ 400 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos”, afirmou Haddad.
O ministro da Fazenda associou a medida de Trump à postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo Haddad, teria dado declarações sugerindo que a situação só se resolveria com um “perdão” político.
“Isso leva todos nós a crer que há uma tentativa deliberada de medição de forças internas. Até a extrema direita vai ter que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, que deu um tiro no pé.”
Sobre o governador de São Paulo, Haddad foi incisivo:
“Ou bem uma pessoa é candidata à presidência, ou é candidata a vassalo. E não há espaço para vassalagem no Brasil desde 1822. Ajoelhar diante de uma agressão unilateral não é aceitável.”
Haddad também comentou sobre as ameaças de Trump ao Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, reforçando que o país não precisa se alinhar cegamente a nenhum grupo de poder global:
“O Brasil tem tamanho e história para manter parcerias diversas. Continuamos abertos ao diálogo com os EUA, mas com base no respeito mútuo e nos interesses econômicos compartilhados.”
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — a mais alta entre as 22 nações notificadas por Trump — provocou reações no governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país não aceitará ser tutelado e que a resposta virá com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada durante o primeiro mandato de Trump.
A nova política tarifária do governo republicano prevê sanções a partir de 1º de agosto para países que não firmarem acordos comerciais com os EUA. Para o Brasil, Trump estabeleceu a taxa máxima, enquanto outros países, como as Filipinas, foram notificados com tarifas de 20%.
A tarifa anunciada por Trump atinge produtos exportados pelo Brasil, afetando setores como:
Agropecuária (carne, sebo e suco de laranja)
Celulose e papel
Minérios e aço
A medida tem potencial de elevar os custos dos produtos brasileiros nos EUA, comprometendo a competitividade e ampliando a tensão comercial.
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