Política / Justiça
STF torna Bolsonaro réu por tentativa de golpe: o que acontece agora no processo
Ex-presidente e aliados responderão por cinco crimes; julgamento pode levar à prisão, perda de direitos políticos e inelegibilidade
26/03/2025
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete aliados próximos foram oficialmente tornados réus nesta quarta-feira (26) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão unânime dos ministros acatou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que os acusa de integrar uma organização criminosa que planejou uma ruptura institucional em 2022.
A denúncia de mais de 300 páginas detalha que Bolsonaro liderava o “núcleo crucial” da trama golpista. Ele e os demais réus agora passam à condição de acusados formais e serão processados criminalmente, podendo ser condenados à prisão, perda de direitos políticos e outras sanções.
Além de Bolsonaro, viraram réus:
Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin);
Anderson Torres (ex-ministro da Justiça);
Braga Netto (ex-ministro da Defesa e ex-vice na chapa de 2022);
Almir Garnier (ex-comandante da Marinha);
Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército);
Augusto Heleno (ex-ministro do GSI);
Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro).
Os oito integrantes do chamado “núcleo crucial” vão responder por:
Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Golpe de Estado
Organização criminosa
Dano qualificado ao patrimônio da União
Deterioração de patrimônio tombado
Com o recebimento da denúncia, o STF abre formalmente a ação penal. Inicia-se a fase de instrução processual, que inclui:
Apresentação de provas pelas partes;
Convocação de testemunhas;
Realização de perícias e diligências;
Debates entre defesa e acusação.
Só após essa fase será agendado o julgamento final, quando os ministros decidirão pela condenação ou absolvição dos réus. Caso condenados, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
A prisão preventiva não é automática com a abertura do processo, mas pode ser decretada se houver:
Risco de obstrução de justiça;
Coação de testemunhas;
Risco de fuga ou ameaça à ordem pública.
Um dos réus, o general Braga Netto, já chegou a ser preso por suspeita de obstrução.
Não há data definida. Tudo depende da duração da instrução. Após esse período, o STF julgará o mérito da acusação. Se condenado, Bolsonaro pode perder seus direitos políticos, ser preso e ficar inelegível.
Se absolvido, o processo é arquivado e os acusados não sofrem sanções.
Segundo a PGR, Bolsonaro comandava uma organização criminosa que, entre julho de 2021 e janeiro de 2023, atuou para desacreditar o processo eleitoral e fomentar um ambiente propício à quebra da ordem constitucional. As estratégias incluíam:
Divulgação de fake news sobre o sistema eleitoral;
Pressão sobre as Forças Armadas para aderirem a uma ruptura institucional;
Mobilização de apoiadores para atos golpistas, como os de 8 de janeiro.
As investigações têm como base relatórios da Polícia Federal, provas documentais, vídeos, depoimentos e a delação premiada de Mauro Cid.

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