Política / Relações
Flávio Bolsonaro acusa Lula de alinhamento com a China e defende aproximação com os EUA
Senador criticou a política externa brasileira após audiência sobre possível tarifa de 25% e afirmou que sobretaxa tende a ser aplicada
08/07/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro, do PL, elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 8 de julho, ao comentar as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Pré-candidato à Presidência da República, ele acusou o governo brasileiro de priorizar a aproximação com a China e adotar uma postura hostil em relação aos norte-americanos.
A declaração ocorreu um dia depois de Flávio participar de audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, sobre a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O prazo para a definição da medida termina em 15 de julho.
Durante uma transmissão pela internet, o senador afirmou ter ido aos Estados Unidos para defender os interesses brasileiros e criticou a atuação internacional de Lula. Na avaliação dele, o presidente coloca posições ideológicas acima dos interesses econômicos do país.
Flávio também disse ter recebido informações de bastidores segundo as quais a sobretaxa tende a ser aplicada. Diante desse cenário, afirmou que buscou apresentar argumentos técnicos e políticos para tentar evitar ou adiar a medida.
Na audiência do USTR, o senador esteve acompanhado do irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. A participação de Flávio ocorreu de forma independente e não representou oficialmente o governo brasileiro.
O espaço era aberto a interessados previamente inscritos. O Governo Federal optou por não discursar durante as audiências públicas e enviou representantes da embaixada apenas como observadores.
A avaliação do Executivo brasileiro é que esse tipo de audiência não constitui o ambiente mais adequado para uma negociação diplomática. Por isso, o governo mantém conversas técnicas e políticas em outros canais, com o objetivo de ampliar as exceções e reduzir o impacto da possível tarifa.
Durante sua fala nos Estados Unidos, Flávio criticou o Supremo Tribunal Federal, os governos do PT e a atual gestão de Lula. Ele também considerou que este seria o pior momento para a aplicação da medida e defendeu seu adiamento.
Na manifestação escrita apresentada ao USTR, o senador mencionou uma suposta assimetria tarifária entre os dois países e propôs tarifa zero para etanol e açúcar.
O Governo Federal, porém, resiste a incluir uma redução da tarifa brasileira sobre o etanol norte-americano nas negociações. O ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, afirmou que uma concessão nesse setor poderia prejudicar a indústria sucroalcooleira do Nordeste.
A gestão brasileira também argumenta que a tarifa atual sobre o etanol estrangeiro se aplica de maneira geral aos países que não possuem acordo preferencial com o Brasil. Por isso, sustenta que não existe tratamento discriminatório específico contra os Estados Unidos.
O Governo Federal apresentou resposta formal à investigação norte-americana em 2 de julho. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, contesta as acusações de que políticas brasileiras seriam discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.
Entre os temas citados pelo governo norte-americano estão o Pix, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria, a propriedade intelectual, a aplicação de normas anticorrupção e o acesso ao mercado brasileiro de etanol.
A eventual entrada em vigor da tarifa poderá afetar exportadores, setores industriais e cadeias produtivas brasileiras. O resultado final dependerá da decisão do USTR, das exceções concedidas e do avanço das negociações diplomáticas entre os dois países.
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