Justiça / Política
PF faz nova busca por armas na residência de Bolsonaro em Brasília
Mandado autorizado por Alexandre de Moraes procurava armamentos, munições e registros; defesa afirma que nenhum item foi localizado
08/07/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal cumpriu, nesta quarta-feira, 8 de julho, um novo mandado de busca e apreensão na residência onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília. Segundo a defesa, a diligência tinha como objetivo localizar armas, munições, acessórios e documentos relacionados aos registros dos armamentos.
A informação foi divulgada pelo advogado João Henrique Freitas, que integra a equipe jurídica do ex-presidente. De acordo com o defensor, a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durou cerca de uma hora e terminou sem apreensões.
A medida ocorreu depois de Moraes manter a prisão domiciliar de Bolsonaro e determinar a entrega de todas as armas registradas em seu nome à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A ordem passou a ser acompanhada mais de perto após divergências sobre a localização de parte do acervo.
Inicialmente, a defesa informou que oito armas estavam sob responsabilidade de uma unidade do Exército Brasileiro, enquanto outras duas já se encontravam com a Polícia Federal. No entanto, o batalhão conseguiu localizar e encaminhar somente seis armamentos, o que levou os advogados a apresentar novos esclarecimentos ao Supremo.
Segundo o tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, comandante do Batalhão de Polícia do Exército, não foram encontradas nas dependências da unidade uma pistola Glock calibre 9 milímetros e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12.
Em petição enviada ao STF, a defesa declarou que a espingarda nunca teria sido retirada da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, localizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Os advogados sustentam que o armamento foi recebido como presente, mas permaneceu guardado no estabelecimento comercial desde a aquisição.
Entre as armas entregues pelo Exército à Polícia Federal estão pistolas das marcas Taurus, Arex e SIG Sauer, uma carabina ou fuzil Springfield Armory calibre 7,62 por 51 milímetros e uma espingarda Typhoon calibre 12. Parte do material é classificada como de uso restrito.
A apuração sobre os armamentos ganhou novo peso após a apreensão, em 15 de junho, de uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal. O caso levou à abertura de inquérito e reforçou a determinação para que todo o acervo vinculado ao certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador fosse entregue às autoridades.
A nova diligência amplia o controle judicial sobre o cumprimento da ordem e mantém sob análise a localização das armas ainda não apresentadas. O caso pode gerar novos pedidos de esclarecimento, medidas de busca ou responsabilização, caso sejam identificadas inconsistências nas informações prestadas ao Supremo.
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