Esporte / Infraestrutura
Morenão entra em nova fase de obras após articulação iniciada em 2024
Estádio recebe intervenções no gramado e integra plano de R$ 16,7 milhões, com previsão de voltar a receber partidas em 2027
08/07/2026
11:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As primeiras máquinas já atuam no gramado do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, em Campo Grande, dando início a uma nova etapa do processo de revitalização do maior estádio de Mato Grosso do Sul. O avanço ocorre após anos de impasses administrativos, cobranças públicas e articulações para transferir a gestão do espaço ao Governo do Estado.
Desde fevereiro de 2024, o deputado estadual Pedrossian passou a defender a reabertura do estádio como uma das prioridades do mandato. Naquele período, o parlamentar promoveu a primeira audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para discutir as condições estruturais, jurídicas e administrativas que mantinham o Morenão fora do calendário esportivo.
Durante os debates, Pedrossian passou a sustentar que a transferência da gestão, até então vinculada à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, seria o caminho mais viável para destravar as reformas. A proposta buscava dar ao Estado condições legais e operacionais para executar obras, obter os laudos exigidos e definir um modelo de administração para o estádio.
Uma segunda audiência pública, realizada em junho de 2024, marcou um avanço nas negociações. Na ocasião, o Governo de Mato Grosso do Sul apresentou formalmente uma carta de intenção para assumir a gestão do Morenão. A possibilidade abriu espaço para novos estudos e para a discussão de uma eventual parceria com a iniciativa privada no futuro.
Em 2025, uma nova reunião pública foi realizada para detalhar os entraves da transferência, os estudos técnicos necessários e o cronograma de intervenções. Paralelamente, surgiu o movimento “Morenão Reaberto Já!”, criado para manter o tema em evidência e ampliar a participação de torcedores, atletas, dirigentes e representantes da sociedade.
A mobilização também ganhou ações simbólicas. Em junho de 2025, foram lançadas figurinhas com registros históricos do estádio, distribuídas entre torcedores e apoiadores da reabertura. A iniciativa buscou reforçar a ligação do Morenão com a memória esportiva de Mato Grosso do Sul.
O impasse avançou para uma solução institucional em 31 de março de 2026, quando foi assinado o termo de cessão de uso do Morenão ao Governo de Mato Grosso do Sul. Com a transferência, o Estado passou a responder pela administração do estádio e ganhou condições para contratar serviços, executar reformas e buscar a regularização técnica da estrutura.
Segundo Pedrossian, a assinatura encerrou uma fase marcada por resistência e dúvidas sobre a viabilidade da mudança. O deputado afirma que as audiências públicas, reuniões e mobilizações ajudaram a construir o acordo entre as instituições envolvidas.
“Durante muito tempo disseram que essa solução era impossível. Fizemos audiências públicas, reuniões, mobilizamos dirigentes esportivos, torcedores e a sociedade. Insistimos nesse caminho porque acreditávamos que o Morenão precisava voltar a cumprir seu papel”, declarou.
O Governo do Estado prevê investir aproximadamente R$ 16,7 milhões na recuperação estrutural do estádio. O cronograma inclui intervenções no gramado, adequações físicas, melhorias de segurança e medidas necessárias para a emissão dos laudos técnicos exigidos para a realização de eventos esportivos.
A expectativa oficial é que o Morenão volte a receber jogos do Campeonato Sul-Mato-Grossense em 2027. Até lá, as obras deverão avançar em etapas, conforme a liberação de recursos, a conclusão dos projetos técnicos e o cumprimento das exigências legais.
Inaugurado em 1971, o estádio recebeu o nome do ex-governador Pedro Pedrossian, responsável pela implantação da antiga Universidade Estadual de Mato Grosso, instituição que posteriormente deu origem à UFMS. Ao longo de sua história, o local recebeu a Seleção Brasileira, clubes de expressão nacional e públicos superiores a 38 mil torcedores.
Nos últimos anos, problemas estruturais e administrativos afastaram o estádio das competições. A ausência de uma praça esportiva de grande porte obrigou os clubes da Capital a disputar partidas em estádios menores, limitando a capacidade de público, a arrecadação e a realização de eventos de maior porte.
Para o deputado, o início das intervenções não encerra a mobilização. A próxima etapa será acompanhar o cronograma, fiscalizar os investimentos e cobrar o cumprimento dos prazos anunciados.
A reabertura do Morenão poderá devolver ao futebol sul-mato-grossense seu principal palco, ampliar a capacidade de receber grandes competições e gerar efeitos positivos para o esporte, o comércio, o turismo e a realização de eventos em Campo Grande.
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