Política / Partidos
Michelle reage a críticas após elogiar política do governo Lula
Ex-primeira-dama afirma que defesa das pessoas com deficiência está acima de ideologias e tenta reduzir desgaste entre apoiadores bolsonaristas
05/07/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma nova mensagem nas redes sociais para responder às críticas recebidas depois de elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reação ocorreu no sábado, 4 de julho, um dia após Michelle classificar a implantação da política pelo Ministério da Educação (MEC) como a realização de um sonho e parabenizar a comunidade surda. A manifestação provocou insatisfação em parte da base bolsonarista e ampliou o desgaste interno enfrentado pela ex-primeira-dama no Partido Liberal.
Na nova publicação, Michelle afirmou que a defesa das pessoas com deficiência é uma causa pessoal e deve permanecer acima de disputas políticas.
Segundo ela, o mais importante em uma política pública não é o governo ou o partido responsável por sua implantação, mas o impacto produzido na vida da população beneficiada.
Para sustentar o posicionamento, a ex-primeira-dama mencionou a sanção da Lei Amália Barros durante o governo de Jair Bolsonaro.
A legislação reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial e teve origem em um projeto apresentado por um parlamentar do PT. Michelle afirmou que Bolsonaro avaliou o mérito da proposta sem considerar a filiação partidária de seu autor.
Na avaliação dela, o episódio demonstraria que medidas voltadas ao interesse social devem ser analisadas pelo benefício oferecido às pessoas, independentemente de diferenças ideológicas.
Michelle também declarou que a política de educação bilíngue para surdos começou a ser estruturada durante o governo Bolsonaro.
De acordo com a ex-primeira-dama, uma ação judicial teria atrasado a tramitação do projeto, impedindo que a iniciativa fosse concluída antes do término do mandato presidencial, em dezembro de 2022.
Ela voltou a parabenizar a comunidade surda e afirmou que os beneficiários da política devem ocupar o centro da discussão.
A proposta prevê diretrizes para o ensino de estudantes surdos, com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e o português escrito como segunda língua.
O elogio ao programa lançado pelo governo Lula provocou críticas de integrantes e apoiadores do campo conservador.
Parlamentares e lideranças ligadas ao PL compartilharam mensagens contrárias à manifestação, além de montagens associando Michelle ao PT. Algumas publicações chegaram a acusar a ex-primeira-dama de traição política.
A nova mensagem foi interpretada como uma tentativa de explicar o posicionamento e conter a repercussão negativa, sem retirar o reconhecimento dado à política pública.
O episódio ocorre durante uma fase de tensão entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na semana anterior, a ex-primeira-dama publicou um vídeo relatando um desentendimento com o enteado durante uma conversa telefônica sobre as articulações eleitorais do partido.
Michelle afirmou que foi tratada com desrespeito. Flávio respondeu publicamente, negou a intenção de ofendê-la e pediu desculpas.
O confronto dividiu integrantes da legenda e contribuiu para a saída de Michelle da presidência do PL Mulher.
Apesar do afastamento da direção da ala feminina, ela continua filiada ao partido e ainda não definiu se disputará uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
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