Campo Grande (MS), Sábado, 04 de Julho de 2026

Política / Eleições 2026

Pressão no PL acelera decisão de Michelle sobre candidatura ao Senado

Após deixar o comando do PL Mulher, ex-primeira-dama aguarda as convenções enquanto o partido avalia alternativas para a disputa no Distrito Federal

04/07/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A indefinição sobre o futuro eleitoral de Michelle Bolsonaro passou a incomodar a direção nacional do Partido Liberal às vésperas das convenções partidárias. No entorno da ex-primeira-dama, declarações recentes de Valdemar Costa Neto são interpretadas como uma tentativa de pressioná-la a decidir se disputará uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.

Michelle deixou a presidência do PL Mulher após uma reunião com Valdemar marcada pela tensão provocada pelo rompimento político com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Apesar da saída do comando da ala feminina, ela permanece filiada ao partido e ainda não descartou publicamente uma candidatura nas eleições de outubro. 

Ao relatar a conversa que teve com a ex-primeira-dama, Valdemar afirmou que Michelle teria indicado que talvez não participasse da disputa pelo Senado. Pessoas próximas a ela, entretanto, avaliam que a declaração tenta antecipar uma decisão que Michelle pretende tomar somente durante o período das convenções.

A interpretação contrasta com o movimento de aliadas como a senadora Damares Alves e a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, que continuam defendendo a possibilidade de Michelle disputar uma das duas cadeiras disponíveis no Senado.

A eventual candidatura também teria impacto direto na composição do palanque de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal. Depois do confronto público entre os dois, aliados passaram a considerar mais difícil a presença conjunta da ex-primeira-dama e do enteado em eventos eleitorais.

PL procura alternativa

Enquanto Michelle mantém a decisão em aberto, o comando do PL começou a avaliar nomes alternativos para a chapa. A legenda tem poucas semanas para identificar e viabilizar uma candidatura competitiva antes das convenções, que serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto.

A ex-primeira-dama nunca confirmou oficialmente que concorreria ao Senado. Nos bastidores, porém, seu nome vinha sendo tratado como uma das principais opções do campo conservador no Distrito Federal, especialmente pela influência que construiu entre mulheres evangélicas e eleitoras alinhadas ao bolsonarismo.

Michelle teria condicionado a decisão ao quadro familiar e à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, além do desfecho das negociações internas do partido. Na sexta-feira, 3 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, manteve a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente.

Ruptura com Flávio

O desgaste interno ganhou força em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos criticando a aproximação do PL com Ciro Gomes no Ceará. Ela defendia o apoio ao senador Eduardo Girão, do Novo, e afirmou ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio Bolsonaro durante a discussão política.

O senador respondeu que não tinha a intenção de desrespeitá-la e pediu desculpas publicamente. Também propôs uma reunião com Michelle e outras lideranças femininas conservadoras, mas o encontro não ocorreu.

Dias depois, a ex-primeira-dama comunicou a Valdemar sua saída da presidência do PL Mulher. O afastamento retirou da estrutura partidária uma liderança considerada importante para a aproximação do partido com o eleitorado feminino e ampliou a percepção de divisão no núcleo bolsonarista.

Crítica por vídeo de Garotinho

A relação entre Michelle e a cúpula do PL ficou ainda mais delicada depois que ela compartilhou um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho sobre supostas festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na publicação, Michelle escreveu que “a verdade de Jesus vai prevalecer”. Aliados interpretaram o compartilhamento como uma possível indireta a Flávio Bolsonaro, que negou participação nos episódios mencionados no vídeo.

Valdemar criticou publicamente a atitude e afirmou que Michelle “fez muito mal” ao divulgar o conteúdo. O presidente do PL também declarou que Garotinho não teria credibilidade e que a postagem foi desaprovada internamente.

Flávio afirmou que sua relação com Vorcaro se limitou a uma tentativa de obter financiamento para uma produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro e disse que Michelle estava desinformada.

Convenções serão decisivas

A tendência é que o impasse permaneça até as convenções. Michelle ainda dispõe de tempo para definir se participará diretamente da eleição, apoiará outra candidatura ou se manterá afastada da campanha.

Para o PL, a decisão é estratégica. Uma candidatura de Michelle poderia fortalecer a chapa no Distrito Federal, mas também exigiria uma reconstrução mínima da relação com Flávio Bolsonaro. Caso ela desista, o partido terá de apresentar rapidamente outro nome capaz de ocupar o espaço político deixado pela ex-presidente do PL Mulher.

Até agora, Michelle não anunciou formalmente qual caminho seguirá. A definição deverá ocorrer nas próximas semanas, quando o partido concluirá as chapas e oficializará seus candidatos para as eleições de 2026.


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