Cidades / Acidente
Esposa de piloto morto em queda de avião descarta erro humano e cobra respostas
Henrique Martin de Carvalho tinha quase mil horas de voo, segundo a família, e a aeronave teria passado por manutenção um dia antes do acidente
03/07/2026
14:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A empresária Anelize Andrade, esposa do piloto Henrique Martin de Carvalho, morto na queda de uma aeronave nesta sexta-feira (3), em Campo Grande, afirmou que ainda aguarda respostas sobre as causas do acidente, mas não acredita em falha humana. Segundo ela, a experiência do marido e a dedicação dele à aviação afastam, neste momento, essa hipótese.
Henrique pilotava o avião de pequeno porte que caiu nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas. Também morreu no acidente a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, conhecida por estudos sobre a fauna do Pantanal, especialmente tamanduás.
Casada com Henrique havia 17 anos, Anelize contou que a aviação era um sonho construído pelo casal. A família começou a investir na formação aeronáutica dele há cerca de seis anos. Depois de cursos e treinamentos, o piloto passou a voar regularmente havia aproximadamente três anos e acumulava quase mil horas de voo, conforme a esposa.
“Já tem uns três anos que ele está voando e a gente está investindo na aviação para ele começar a voar”, relatou.
Ainda abalada, Anelize destacou que o marido levava a profissão com seriedade e mantinha rotina constante de estudos. Segundo ela, Henrique era preparado, cuidadoso e apaixonado pelo que fazia.
“Ele é muito inteligente, sempre estudou muito”, afirmou.
A manhã do acidente começou como uma rotina comum para a família. Henrique saiu cedo para cumprir o voo programado e, segundo Anelize, nada indicava que algo pudesse acontecer.
“Para nós era um dia normal. Ele saiu para voar e eu achei que iria voltar. Só que infelizmente aconteceu essa catástrofe”, lamentou.
A empresária recebeu a notícia de forma inesperada. Ela estava em casa quando foi avisada pela irmã, que havia visto as primeiras informações sobre a queda nas redes sociais.
“Foi um choque”, resumiu.
Anelize afirmou que a família agora busca entender o que provocou o acidente. Durante a entrevista, ela mencionou que recebeu informações de que a aeronave teria passado por manutenção e testes no dia anterior à queda.
“O pessoal falou que passou até por manutenção ontem. Ele foi lá fazer testes, voar”, disse.
Na manhã do acidente, Campo Grande registrava neblina em diferentes regiões, inclusive nas proximidades do aeroporto. Mesmo assim, a esposa evitou apontar qualquer causa antes da conclusão das investigações. Para ela, somente os órgãos responsáveis pela segurança aeronáutica poderão esclarecer o que ocorreu.
Ao falar sobre as condições enfrentadas pelo marido na carreira, Anelize ressaltou que Henrique já estava habituado a diferentes cenários de voo.
“Ele tinha quase mil horas de voo. Ele voava à noite, voava de madrugada”, afirmou.
Para a família, a principal certeza neste momento é que o piloto estava preparado para exercer a atividade que escolheu como profissão.
“A gente precisa entender o que aconteceu. Um piloto que tem quase mil horas de voo, não é normal acontecer uma coisa dessas”, disse.
A aviação fazia parte da rotina familiar. Sempre que possível, Anelize e a filha do casal, de 6 anos, acompanhavam Henrique em aeroportos, hangares e voos. Nas redes sociais, registros mostram momentos da família ao lado do piloto e de aeronaves.
“Toda vez que ele ia voar e a gente tinha oportunidade, a gente ia junto”, relembrou.
Questionada sobre a relação de Henrique com a filha, Anelize afirmou que ele era um pai presente, carinhoso e participativo.
“Sim, exatamente. O melhor de todos”, respondeu.
A família agora tenta lidar com a perda enquanto aguarda o avanço das investigações e os procedimentos para a despedida. “Estamos num momento de luto e vamos viver esse luto”, afirmou.
As causas da queda ainda serão apuradas pelos órgãos responsáveis. Até o momento, não há conclusão oficial sobre o que provocou o acidente.
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