Política / Eleições
Priscila Costa vira centro da disputa entre Flávio e Michelle Bolsonaro no Ceará
Deputada federal é defendida por Michelle para o Senado, enquanto Flávio apoia outro nome do PL na composição estadual
26/06/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A deputada federal Priscila Costa (PL-CE) passou a ocupar o centro da crise entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O conflito ganhou repercussão nacional depois que Michelle afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (24 de junho), ter sido maltratada pelo enteado ao defender o nome de Priscila para a disputa ao Senado pelo Ceará.
Priscila preside o PL Mulher no Ceará e também ocupa a vice-presidência nacional do PL Mulher, estrutura comandada por Michelle Bolsonaro. Jornalista, ela se apresenta politicamente como defensora da família, da liberdade e dos valores cristãos. Em 2024, foi a vereadora mais votada de Fortaleza, com 36.226 votos, e assumiu mandato na Câmara dos Deputados no mês passado, após a perda do mandato da deputada Dayany Bittencourt (União).
A divergência envolve a formação do palanque bolsonarista no Ceará para 2026. Michelle defende que Priscila Costa seja lançada ao Senado. Já Flávio Bolsonaro apoia o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), nome também endossado pelo diretório regional do partido. Alcides é pai de André Fernandes, presidente estadual do PL, e aparece nas articulações para compor a chapa de Ciro Gomes (PSDB).
Michelle também discorda da aproximação com Ciro já no primeiro turno da disputa estadual. A ex-primeira-dama defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao Governo do Ceará, em uma composição mais alinhada ao campo conservador.
Ao justificar a defesa de Priscila, Michelle citou a necessidade de ampliar o espaço das mulheres nas chapas do partido. Segundo ela, em 2026 estarão em disputa 54 vagas para o Senado Federal e, se fosse aplicada a proporção de 30% para candidaturas femininas, o PL poderia lançar 17 mulheres. A ex-primeira-dama afirmou ter pedido apenas três nomes: Priscila Costa, Carol de Toni e Bia Kicis.
No vídeo, Michelle relatou que Flávio teria sido ríspido em uma ligação telefônica e dito que ela deveria ficar fora das decisões partidárias. Segundo a ex-primeira-dama, o senador também teria afirmado que ela “havia chegado ontem” e não entendia de política. A declaração ampliou a crise interna e expôs divergências entre lideranças do bolsonarismo.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro negou ter desrespeitado Michelle. Em publicação nas redes sociais, afirmou que nunca humilhou ou maltratou uma mulher e que jamais faria isso com a esposa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador também pediu desculpas caso tenha causado alguma mágoa e disse reconhecer o trabalho de Michelle no PL Mulher.
Na quinta-feira (25 de junho), Flávio voltou ao tema em vídeo e reforçou o pedido de desculpas. Michelle também se manifestou novamente, negando a existência de “briga” ou “competição” e afirmando que pretende trabalhar junto ao grupo para derrotar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A disputa em torno de Priscila Costa escancarou um impasse maior dentro do PL: a tentativa de conciliar interesses regionais, estratégia eleitoral nacional e a pressão por mais espaço para candidaturas femininas. O desfecho no Ceará pode influenciar não apenas a montagem da chapa estadual, mas também a capacidade do partido de manter unidade em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
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