Educação / Negociação
Professores rejeitam reajuste de 3,4% da Prefeitura e mantêm cobrança por 5,4%
Nova rodada de negociação entre Executivo e ACP está marcada para quarta-feira, 1º de julho, na Prefeitura de Campo Grande
26/06/2026
10:00
DA REDAÇÃO
Professores rejeitam proposta de reajuste parcelado do Piso 20h durante assembleia ©Marithê do Céu/ACP
A negociação entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Reme, a Rede Municipal de Ensino, segue sem acordo. Em reunião realizada na quarta-feira, 24 de junho, o Executivo apresentou proposta de reajuste de 3,4%, dividida em duas parcelas de 1,7%, mas a oferta foi recusada pela ACP, o Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública.
A categoria cobra a aplicação integral do índice de 5,4%, previsto na política nacional do Piso 20h. A proposta da Prefeitura previa pagamento em duas etapas, com parcelas programadas para dezembro de 2026 e janeiro de 2027.
A discussão ocorreu durante reunião da Comissão Mista de Negociação, formada por representantes da Prefeitura, da ACP, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e do Conselho de Secretários. Com a recusa da proposta, uma nova rodada foi marcada para quarta-feira, 1º de julho, às 10h, na sede da Prefeitura.
A rejeição apresentada pela diretoria da ACP foi referendada pela categoria em Assembleia Geral Extraordinária, realizada na noite de quinta-feira, 25 de junho, no auditório da Fetems. Os professores aprovaram a manutenção da reivindicação pelo reajuste integral de 5,4%, que alcança quase 9 mil profissionais da rede municipal.
O presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, afirmou que a proposta foi recusada ainda durante a mesa de negociação por não atingir o percentual considerado mínimo pela categoria. Segundo ele, a entidade deixou claro que não avaliaria uma oferta abaixo do índice defendido pelos professores.
“Eles trouxeram uma proposta que não contemplava os 5,4%. Nós deixamos claro que não iríamos avaliar uma proposta abaixo desse percentual”, afirmou Gilvano.
De acordo com o presidente do sindicato, a proposta de 3,4% foi considerada insuficiente por não acompanhar a política do Piso 20h. Por isso, a diretoria optou por não encaminhar a oferta para deliberação detalhada durante a negociação.
“A gente preferiu nem levar essa proposta para avaliação porque ela não atingia os 5,4%”, explicou.
Gilvano Kunzler Bronzoni afirmou que a posição da categoria é não abrir mão do índice reivindicado. Para ele, uma repactuação abaixo do percentual previsto não atenderia à política de valorização dos profissionais da educação municipal.
“Não tem como abrir mão desse percentual, porque não faz sentido uma repactuação abaixo do que determina o piso”, declarou.
Apesar de reconhecer as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, o presidente da ACP argumenta que os recursos da educação têm vinculação legal e podem ser reorganizados para garantir o pagamento do reajuste. Segundo ele, o sindicato não defende aumento de despesas fora da capacidade financeira da Prefeitura, mas a readequação das verbas destinadas ao setor.
“A gente entende o momento que Campo Grande está passando, entende as dificuldades financeiras, mas os recursos da educação têm destinação específica”, disse.
Ainda conforme Gilvano, a entidade acredita que é possível cumprir o reajuste integral sem ampliar a pressão sobre os cofres públicos, desde que haja reorganização interna dos recursos da educação.
“Se houver uma reorganização dentro dessa vinculação, é possível pagar os 5,4% sem onerar ainda mais os cofres públicos”, afirmou.
A mobilização da categoria ganhou força no último 12 de junho, quando centenas de professores da Rede Municipal de Ensino realizaram paralisação e caminhada pelas ruas centrais de Campo Grande. O ato cobrou o cumprimento da política do Piso 20h.
Durante a manifestação, os professores percorreram a Rua Rui Barbosa e a Avenida Afonso Pena até o Paço Municipal, onde uma comissão foi recebida pela prefeita Adriane Lopes, do PP, por vereadores e por integrantes da administração municipal.
Na ocasião, a prefeita afirmou aos representantes da categoria que a gestão cumpriria a política do Piso 20h. Já o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, apontou dificuldades financeiras como principal entrave para a concessão do reajuste.
Segundo o secretário, o município recebe aproximadamente R$ 960 milhões por ano do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, mas gasta cerca de R$ 1,5 bilhão apenas com a folha de pagamento da educação.
“Recebemos cerca de R$ 960 milhões por ano e gastamos aproximadamente R$ 1,5 bilhão com o pagamento de salários. Ou seja, mais de R$ 500 milhões precisam sair do caixa da Prefeitura”, afirmou Ulisses Rocha na ocasião.
O secretário também disse que a queda de receitas municipais exige análise detalhada das contas públicas para encontrar uma forma de cumprir o reajuste. “Hoje já temos um déficit e o desafio é justamente entender como vamos reequilibrar essa situação”, declarou.
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber se a próxima proposta contemplará os 5,4% reivindicados pelos professores e quando uma nova alternativa será apresentada formalmente à categoria. O espaço segue aberto para manifestação.
A nova reunião da próxima quarta-feira será decisiva para indicar se o impasse avançará para um acordo ou se a categoria poderá ampliar a mobilização. Para os professores, o ponto central da negociação continua sendo o cumprimento integral do reajuste previsto pelo Piso 20h.
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