Política / Eleições
Campanha de Flávio Bolsonaro busca vice mulher para reduzir impacto de crise com Michelle
Aliados do senador avaliam que escolha feminina pode ajudar a conter desgaste no eleitorado após críticas públicas da ex-primeira-dama
26/06/2026
11:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência tenta reorganizar a estratégia política após as críticas públicas feitas por Michelle Bolsonaro. Aliados do senador passaram a defender com mais força o anúncio de uma mulher como candidata a vice, na tentativa de reduzir o desgaste provocado pela crise e melhorar a comunicação com o eleitorado feminino.
A reação ocorreu depois que Michelle publicou vídeos na tarde de quarta-feira (24) relatando ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio. A ex-primeira-dama afirmou que o senador foi ríspido durante uma conversa por telefone, após ela criticar a articulação do PL para uma possível aliança com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Ceará.
A publicação surpreendeu aliados do pré-candidato e provocou uma série de explicações nas horas seguintes. Integrantes da pré-campanha admitem que houve susto inicial, mas avaliam que ainda será necessário medir o real impacto do episódio. Parte do grupo acredita que a exposição pública também pode gerar desgaste para Michelle junto a eleitores bolsonaristas que defendem unidade contra Lula (PT).
Apesar da dificuldade de Flávio Bolsonaro nas pesquisas entre mulheres, aliados do senador sustentam que apoiadoras de Michelle dificilmente deixariam de votar nele em um eventual segundo turno. A avaliação interna é que, mesmo se houver migração de votos no primeiro turno, esse eleitorado tende a retornar em uma disputa direta contra o campo governista.
Após tentar minimizar o caso nas redes, Flávio voltou a se manifestar e negou ter ofendido Michelle. O senador afirmou que, caso tenha cometido algum erro, pedia desculpas novamente. A ex-primeira-dama, por sua vez, declarou depois não ter “raiva de ninguém” e disse que os vídeos tinham o objetivo de esclarecer uma situação que, segundo ela, estaria sendo deturpada.
O plano de indicar uma mulher para a vice já vinha sendo discutido antes da crise. Segundo aliados, o nome deve ser anunciado nas próximas duas semanas. Entre as cotadas estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques (Republicanos), que tem auxiliado a articulação política de Flávio.
A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) também segue no radar da pré-campanha. No entanto, integrantes da federação formada por PP e União Brasil avaliam que a crise aberta por Michelle reforça a necessidade de cautela antes de uma aliança formal com o senador.
Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, Michelle decidiu gravar os vídeos como desabafo, após se sentir alvo de uma sequência de ataques, cobranças e informações falsas. O irmão dela, Eduardo Torres (PL), pré-candidato a deputado distrital, afirmou nas redes que a irmã teria relatado “muito pouco” diante do que vem enfrentando e disse já ter presenciado situações em que precisou intervir.
Nos vídeos, Michelle Bolsonaro afirmou que Flávio teria dito que ela deveria ficar fora das decisões partidárias e que não entendia de política. Em resposta, o senador gravou uma mensagem negando ter humilhado a madrasta e afirmou que jamais desrespeitaria uma mulher, especialmente a esposa de seu pai.
A esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, também saiu em defesa do marido e escreveu que convive com um homem respeitoso, carinhoso e dedicado à família. Pessoas próximas ao senador afirmam ainda que ele tenta conversar com Michelle há meses e que teria deixado um recado para ela na manhã de quarta-feira, antes da divulgação dos vídeos, convidando-a para uma reunião com lideranças femininas.
Para tentar recompor pontes, Flávio Bolsonaro marcou uma reunião de trabalho com aliadas na próxima semana. A intenção é ouvir propostas para o plano de governo e demonstrar aproximação com nomes influentes junto ao público feminino, como Bia Kicis e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
O episódio deixou claro que a pré-campanha terá de administrar dois desafios ao mesmo tempo: conter os efeitos da divisão interna no bolsonarismo e reforçar uma agenda capaz de dialogar com mulheres, segmento considerado decisivo para a viabilidade eleitoral do projeto presidencial do PL.
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