Campo Grande (MS), Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Política / Reforma

Assentados recebem Lula no Itamarati com cobrança por obras, agroindústria e estrutura produtiva

Presidente participa de ato em Ponta Porã para entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas em MS

25/06/2026

16:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A cerimônia de entrega de títulos de domínio no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, começou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, com discursos de valorização da fronteira e cobrança por novos investimentos na região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, chegou ao local de helicóptero com cerca de uma hora e 20 minutos de atraso para participar do ato.

A agenda prevê a entrega de 1.390 títulos de domínio a famílias assentadas de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. O evento ocorre na área que funcionava como aeroporto da antiga Fazenda Itamarati, em frente ao núcleo urbano do distrito de Nova Itamarati.

O primeiro discurso foi do prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, do PSDB. Diante de Lula, ele afirmou que a presença do presidente representa “reconhecimento, respeito e esperança” para famílias que participaram da construção da história da região.

O prefeito também destacou a importância da fronteira com o Paraguai. Segundo ele, Ponta Porã não deve ser vista apenas como limite geográfico, mas como espaço de integração, comércio, desenvolvimento e oportunidade.

“Ponta Porã é uma cidade de fronteira, mas, para nós, fronteira é muito mais que limite. Fronteira é encontro, integração, comércio, desenvolvimento e oportunidade”, afirmou Eduardo Campos.

Ao falar sobre o Assentamento Itamarati, o prefeito classificou a área como exemplo da força do povo brasileiro. Para ele, a entrega dos títulos representa uma conquista histórica e reforça o potencial da região para se tornar referência em desenvolvimento rural sustentável.

“O Assentamento Itamarati é um exemplo da força do povo brasileiro. Hoje celebramos uma conquista histórica e um sonho coletivo, que é transformar Itamarati em referência nacional de desenvolvimento rural sustentável, inovação e agricultura familiar. Temos terra, gente trabalhadora, universidades parceiras, projetos e vontade de fazer acontecer”, discursou.

Depois do prefeito, o presidente da Arco Porã, Cleiton Alexandre Valença, ligado ao MST, usou a presença de Lula para apresentar reivindicações dos trabalhadores rurais. Entre os pedidos estão investimentos em obras, reforma de estruturas produtivas, armazenamento de sementes, agroindústria e melhoria da infraestrutura local.

Segundo Cleiton, Mato Grosso do Sul é o segundo estado com maior número de famílias acampadas no país. Ele afirmou que são 19 mil famílias nessa condição, sendo 3 mil apenas na região de Ponta Porã e Antônio João.

“Somos o segundo estado com mais famílias acampadas, 19 mil, sendo 3 mil aqui em Ponta Porã e Antônio João”, disse.

O representante dos trabalhadores também citou a produção de sementes nos assentamentos da região. Segundo ele, os agricultores já exportam sementes para outras localidades, mas precisam de estrutura adequada para tratamento, armazenamento e ampliação da capacidade produtiva.

“Existe aqui uma grande produção de sementes. Já exportamos para vários lugares. Nesse sentido, queremos a reforma do complexo para tratar e armazenar as sementes que exportamos. Queremos que o aeroporto seja reformado, queremos agroindústria”, afirmou Cleiton Alexandre Valença.

Após os discursos iniciais, teve início a cerimônia de entrada dos títulos, principal ato da agenda. Além das famílias do Assentamento Itamarati, serão contemplados moradores dos assentamentos Nova Era, em Ponta Porã; Aldeia, em Bataguassu; Ressaca, em Bela Vista; Taquaral, em Corumbá; Guanabara, em Amambai; e Indaiá IV, em Aquidauana.

Também receberão documentos famílias de áreas localizadas em Sidrolândia, Itaquiraí, Rio Brilhante, Corguinho e Nova Alvorada do Sul.

O Governo Federal afirma que a titulação definitiva garante segurança jurídica às famílias assentadas, formaliza o direito à terra, reduz conflitos e amplia as condições para produzir, investir e acessar políticas públicas.

O Assentamento Itamarati ocupa área de 50.081 hectares e reúne 2.837 famílias, sendo considerado uma das maiores experiências de reforma agrária do país. Atualmente, a região tem produção diversificada, com grãos, leite, pequenos animais, frutas, hortaliças e produtos agroindustriais.

Durante a agenda, também está previsto investimento para recuperar estruturas produtivas do assentamento. Os recursos devem ser aplicados em cooperativas, ampliação da capacidade de armazenamento de grãos, melhoria da infraestrutura hídrica, fortalecimento da agroindustrialização, comercialização, capacitação, fiscalização de obras, sustentabilidade e transição energética.

A história da área ajuda a explicar o peso simbólico da visita. Criada pelo empresário Olacyr de Moraes, a antiga Fazenda Itamarati se tornou, nas décadas de 1970 e 1980, um dos símbolos da expansão agrícola brasileira e da produção em larga escala no Centro-Oeste.

Anos depois, o território foi desapropriado e transformado em projeto de reforma agrária, dando origem ao atual Assentamento Itamarati, localizado no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã, a 323 quilômetros de Campo Grande.

O que antes era uma grande fazenda privada passou a abrigar uma das maiores áreas de assentamento do Brasil. Estimativas apontam população entre 20 mil e 22 mil habitantes, com cerca de 2,8 mil a 2,9 mil famílias assentadas, conforme diferentes levantamentos.

Ao longo dos anos, a produção local se diversificou. O modelo de agricultura familiar ganhou escala em atividades como produção de leite, hortaliças, mandioca, milho, soja, frutas e cadeias agroindustriais. O resultado é um território que combina subsistência, abastecimento regional e cultivo de grãos.

A presença de Lula no assentamento reforça a agenda federal de regularização fundiária e apoio à agricultura familiar em Mato Grosso do Sul. Para os assentados, a expectativa é que a entrega dos títulos venha acompanhada de obras, crédito, agroindústria e estrutura para transformar a segurança jurídica em produção e renda.


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