Meio Ambiente / Produção
Sindicato Rural critica condução do ICMBio sobre criação do REVIS Delta do Salobra
Entidade afirma que produtores não são contra a preservação, mas cobram diálogo, transparência e garantias sobre impactos em mais de 60 mil hectares
18/06/2026
20:15
DA REDAÇÃO
O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena divulgou nota de repúdio contra a forma como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem conduzido o processo de criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Delta do Salobra. A proposta prevê a abrangência de mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá.
Na manifestação, a entidade afirma que não organizou, coordenou nem convocou a mobilização de produtores rurais registrada durante a audiência pública realizada no dia 17 de junho, no auditório da Prefeitura Municipal de Bodoquena. Segundo o sindicato, a presença expressiva de moradores, trabalhadores, famílias e proprietários rurais ocorreu de forma espontânea.
A entidade sustenta que a mobilização refletiu a preocupação de pessoas diretamente impactadas pela proposta. Para o sindicato, o projeto pode alterar a dinâmica econômica, social e produtiva da região, motivo pelo qual deveria ser discutido com mais diálogo e maior clareza sobre seus efeitos práticos.
O sindicato também rejeitou a atribuição de responsabilidade aos produtores rurais pelo cancelamento da consulta pública. Conforme a nota, a suspensão do evento foi justificada pela própria administração municipal por questões de segurança, diante da superlotação do espaço destinado à audiência.
Para a entidade, o ponto central da discussão não deve ser a mobilização popular, mas a falta de respostas concretas sobre os impactos da criação da unidade de conservação. O sindicato cobra explicações sobre possíveis efeitos em propriedades privadas, atividades produtivas e no futuro de famílias que vivem e trabalham na região há gerações.
Embora o ICMBio afirme que o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite a permanência de propriedades privadas e a continuidade de atividades compatíveis com os objetivos de conservação, o sindicato avalia que os produtores têm dúvidas legítimas sobre as restrições futuras.
Entre os questionamentos estão possíveis limitações ao uso da terra, à ampliação das atividades produtivas, à realização de investimentos, ao acesso ao crédito rural, ao licenciamento ambiental e ao direito de propriedade.
A nota reforça que os produtores rurais da região não são contrários à conservação ambiental. Segundo o sindicato, são justamente esses proprietários que preservam nascentes, matas ciliares, reservas legais e áreas de preservação permanente, cumprindo a legislação ambiental brasileira.
A entidade defende que produção agropecuária e preservação ambiental já convivem diariamente nas propriedades rurais da região. O questionamento, segundo o sindicato, é sobre a tentativa de avançar com uma proposta de grande impacto territorial sem amplo debate e sem garantias claras aos proprietários atingidos.
O sindicato afirma que não considera razoável submeter milhares de hectares produtivos a um novo regime de restrições sem que as famílias tenham pleno conhecimento das consequências econômicas, sociais e patrimoniais que poderão enfrentar nos próximos anos.
A criação de uma unidade de conservação sobre área superior a 60 mil hectares, conforme a entidade, pode impactar não apenas produtores rurais, mas também trabalhadores, empresas, fornecedores, transportadores, prestadores de serviços e a economia regional.
Na nota, o Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena reafirma compromisso com a defesa do direito de propriedade, da segurança jurídica, da produção sustentável e da preservação ambiental construída com participação das comunidades locais.
A entidade defende que qualquer iniciativa de conservação seja debatida de forma transparente e democrática, com respeito aos direitos dos produtores rurais, das famílias e das comunidades que vivem e produzem nos territórios atingidos pela proposta.
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