Política / Investigação
Wagner negou ligação com Vorcaro dois dias antes de busca da PF
Líder do governo no Senado criticou reportagem sobre delação do dono do Banco Master e disse não ter negócios com o banqueiro
18/06/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Dois dias antes de ser alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, o senador Jaques Wagner (PT-BA) usou a tribuna do Senado Federal para negar qualquer relação comercial com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O parlamentar, que é líder do governo na Casa, reagiu a uma reportagem da revista Veja sobre uma segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro.
No discurso, Wagner classificou como “leviana” a publicação e afirmou que não foi procurado para comentar as acusações. Segundo a reportagem, um dos capítulos da proposta de colaboração trataria de negócios do Banco Master com integrantes do governo da Bahia, incluindo um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.
O senador afirmou que as suspeitas envolvendo o PT da Bahia vêm sendo repetidas sem comprovação. Em trecho divulgado nas redes sociais, ele disse já ter desafiado críticos a mostrarem alguma investigação da Polícia Federal que apontasse irregularidades em sua conduta ou na atuação do ex-governador Rui Costa.
A fala ocorreu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também reagir à mesma edição da revista. Alcolumbre afirmou ter sido alvo de um “ataque pessoal e institucional”, já que a reportagem mencionava seu nome na proposta de delação de Vorcaro.
Durante o pronunciamento, Jaques Wagner prestou solidariedade a Alcolumbre e destacou que a delação citada pela revista teria sido rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O senador também criticou o uso de colaborações premiadas negociadas com investigados presos.
Na avaliação dele, o Congresso errou ao aprovar regras que permitem esse tipo de acordo em situação de prisão. Wagner argumentou que a colaboração deveria partir de alguém em liberdade, sem pressão decorrente do encarceramento.
O parlamentar também negou proximidade com Daniel Vorcaro. Segundo ele, os dois se encontraram apenas em duas ocasiões, uma em Salvador e outra em São Paulo. “Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF”, declarou no plenário.
Apesar da negativa, a Polícia Federal investiga se Jaques Wagner teria recebido vantagens indevidas ligadas ao grupo do Banco Master. Uma das suspeitas envolve um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, que teria sido repassado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, por meio de uma empresa ligada a familiar do senador.
Para os investigadores, o suposto benefício poderia estar relacionado a uma contrapartida por ações políticas favoráveis aos interesses do Banco Master e de Augusto Lima. A PF também apura possíveis pagamentos da instituição financeira a uma empresa vinculada a familiar do parlamentar.
Além de Wagner, a operação desta quinta-feira, 18 de junho, teve como alvo empresas e endereços ligados a Augusto Lima na Bahia, em São Paulo e em Brasília. O empresário é apontado como responsável por implementar, durante o governo de Jaques Wagner na Bahia, entre 2007 e 2014, um sistema de crédito consignado para servidores públicos.
Esse modelo deu origem ao Credcesta, produto que posteriormente se tornou um dos principais ativos financeiros do Banco Master. A investigação busca esclarecer se a relação entre agentes públicos, empresários e o banco ultrapassou os limites legais.
A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências da Polícia Federal eram desnecessárias, pois o empresário estaria há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Jaques Wagner também foi procurado pela imprensa após a operação, mas ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.
O caso amplia a pressão política sobre o líder do governo no Senado e adiciona novo capítulo às investigações sobre o Banco Master. As apurações seguem em andamento e, até o momento, não representam condenação dos envolvidos.
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