Campo Grande (MS), Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Política / Segurança

PEC da maioridade penal ainda passará por comissão especial antes de ir ao plenário

Após aprovação na CCJ, proposta que reduz responsabilização penal para 16 anos terá nova etapa de análise na Câmara

10/06/2026

15:00

DA REDAÇÃO

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A proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos avançou na Câmara dos Deputados, mas ainda terá um longo caminho antes de chegar ao plenário. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (10), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), por 44 votos favoráveis e 18 contrários.

A decisão da CCJ não significa aprovação definitiva da mudança. Nesta etapa, os deputados analisaram apenas se a proposta atende aos requisitos constitucionais para continuar tramitando. Agora, o texto dependerá da criação de uma Comissão Especial temporária, por ato da Mesa Diretora da Câmara, para discutir o mérito da matéria.

Na Comissão Especial, os parlamentares poderão realizar audiências públicas, ouvir especialistas, apresentar alterações ao texto e votar um relatório final. Somente se for aprovada nesse colegiado, a PEC seguirá para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a aprovação exige quórum qualificado. O texto precisará do apoio de pelo menos três quintos dos deputados, o equivalente a 308 dos 513 parlamentares, em dois turnos de votação. Se passar pela Câmara, a proposta será encaminhada ao Senado Federal, onde também terá de cumprir rito semelhante.

A PEC foi apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares. O texto inicial previa a chamada “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”, o que alteraria não apenas a responsabilização penal, mas também regras civis aplicadas a adolescentes.

Desde então, a proposta permaneceu em análise na CCJ, passou por pelo menos três relatores e chegou a ser arquivada pela Mesa Diretora em 2019. O debate voltou a ganhar força nos últimos meses, após o relator atual, deputado Coronel Assis (PL-MT), apresentar parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria.

Durante a tramitação na comissão, parlamentares da oposição apresentaram requerimentos para tentar adiar a votação, mas os pedidos foram rejeitados. Com isso, a análise foi concluída e o texto recebeu aval para seguir à próxima fase.

O substitutivo apresentado pelo relator alterou o alcance da proposta original. A versão aprovada na CCJ mantém a discussão restrita à esfera penal e preserva as regras civis atualmente em vigor. Com isso, a maioridade civil e os direitos políticos dos jovens não seriam modificados.

Na prática, o alistamento eleitoral e o voto continuariam facultativos aos 16 anos e obrigatórios apenas a partir dos 18 anos, conforme as regras atuais. A mudança em discussão se concentra na possibilidade de responsabilização penal a partir dos 16 anos.

Deputados favoráveis à PEC argumentam que a medida responde a uma demanda social por mais segurança pública e responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves. Já os parlamentares contrários afirmam que a redução da maioridade penal pode violar garantias constitucionais e defendem o fortalecimento de políticas públicas de educação, proteção social e prevenção à violência.

Com a aprovação na CCJ, o tema entra em uma nova etapa política dentro da Câmara. A criação da Comissão Especial será decisiva para definir o ritmo da tramitação, o conteúdo final da proposta e as condições para uma eventual votação em plenário.


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