Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Polícia / Justiça

Família de Fabiola Marcotti contesta versão de suicídio e aponta feminicídio em Campo Grande

Advogado da família acusa defesa de João Jazbik de tentar distorcer os fatos e afirma confiar no trabalho da Polícia Civil

27/05/2026

13:30

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A defesa da família da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, divulgou nesta quarta-feira, 27 de maio, uma nota pública em que contesta a versão de suicídio apresentada pela defesa do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, marido da vítima.

No documento, o advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, que atua como assistente de acusação da família, classifica a tese como uma “fantasia arquitetada” e afirma que Fabiola foi vítima de um “brutal feminicídio”.

A fisioterapeuta foi encontrada morta na manhã de 18 de maio, na chácara onde morava com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a Deam, que já apontou inconsistências nos depoimentos e na dinâmica apresentada inicialmente.

Na manifestação, o advogado afirma que, por respeito ao segredo de Justiça, não divulgará detalhes de laudos, provas periciais ou elementos reunidos no inquérito. Mesmo assim, rebateu de forma direta a versão sustentada pela defesa do médico.

“Nesse sentido, repudiamos com veemência a despudorada tentativa da defesa do investigado de falsear a verdade. A tese de autoextermínio é uma fantasia arquitetada, uma narrativa falaciosa e leviana, construída com o único e covarde propósito de livrar o autor de sua responsabilização criminal”, diz trecho da nota.

Em outro ponto, a defesa da família afirma que a morte da fisioterapeuta não foi um episódio isolado ou acidental, mas resultado de violência contra a mulher.

“O que ocorreu não foi um infortúnio, mas sim um brutal feminicídio”, declarou o advogado no documento.

A nota também afirma que a família confia no trabalho técnico da Deam, do Instituto de Criminalística e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Segundo a manifestação, a apuração pericial será decisiva para esclarecer as circunstâncias da morte.

O posicionamento foi divulgado nove dias após a morte de Fabiola e ocorre em meio ao confronto entre a versão apresentada pela defesa de João Jazbik Neto e as suspeitas levantadas pelos investigadores.

No dia do caso, o cardiologista afirmou à polícia que encontrou a esposa no quarto do casal após estranhar a demora dela no cômodo. A versão inicial apontava para a hipótese de morte autoinfligida.

Posteriormente, o advogado do médico, José Belga Trad, declarou que a hipótese de feminicídio estaria afastada e afirmou que o cliente responderia apenas por posse irregular de armas e fraude processual. A defesa também disse que o cardiologista se colocou à disposição para realização de exame pericial e negou que ele tenha praticado violência contra a esposa.

No entanto, no dia seguinte, a Polícia Civil informou ter identificado divergências nos depoimentos colhidos ainda na propriedade rural e inconsistências entre os elementos encontrados no local e a versão apresentada inicialmente.

A Deam também apontou indícios de fraude processual. Segundo a investigação, um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal e levado para outro imóvel dentro da chácara após a morte da fisioterapeuta. O médico, o caseiro e um ex-funcionário foram autuados em flagrante.

Durante as buscas, policiais apreenderam armas de fogo de uso permitido e restrito na propriedade. João Jazbik Neto possui registro ativo como CAC, sigla para Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador.

Na nota, a defesa da família afirma que continuará acompanhando o andamento da investigação e atuando para que os responsáveis sejam responsabilizados.

“A família e os amigos permanecerão vigilantes e combativos. A memória de Fabíola não será sepultada sob a conveniência de mentiras, e a Justiça será buscada até as últimas instâncias”, diz o texto.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público.


Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Rede News MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: