Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Polícia / Justiça

Cardiologista investigado após morte da esposa é solto e usará tornozeleira eletrônica

João Jazbik Neto responderá em prisão domiciliar; Polícia Civil apura inconsistências e não descarta hipótese de feminicídio

22/05/2026

19:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça nesta sexta-feira (22), após permanecer preso desde segunda-feira (18). Ele havia sido detido por posse irregular de arma de fogo e fraude processual durante a investigação sobre a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, em Campo Grande.

A decisão judicial impôs medidas cautelares ao médico. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de prisão domiciliar. A Polícia Civil segue investigando o caso e ainda não descarta a hipótese de feminicídio.

A morte ocorreu na residência do casal, localizada na região da Chácara dos Poderes. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o cardiologista relatou que a esposa teria seguido a rotina da manhã antes de subir para o quarto do casal. Após estranhar a demora, ele afirmou ter tentado contato com Fabiola e, em seguida, a encontrou caída no cômodo.

Ainda conforme o registro policial, João Jazbik Neto acionou um ex-caseiro da propriedade, que foi o responsável por ligar para o 190.

A defesa do cardiologista havia informado anteriormente que ele se colocou à disposição para realizar o exame residuográfico, usado para identificar vestígios de disparo de arma de fogo nas mãos. Para a defesa, essa postura afastaria “qualquer suspeita da hipótese de feminicídio”. Apesar disso, durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (20), a Justiça havia decretado a prisão preventiva do médico.

De acordo com a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), as primeiras diligências apontaram inconsistências nas versões apresentadas pelo cardiologista e por testemunhas ouvidas no local. O delegado Leandro Santiago afirmou que os relatos apresentaram divergências durante as entrevistas feitas pelos policiais civis.

Outro ponto investigado é a suspeita de fraude processual. Segundo a polícia, um armário com armas de fogo e munições teria sido retirado da casa principal da propriedade e levado para outro imóvel dentro da chácara após a morte da fisioterapeuta. Conforme a investigação, a movimentação teria ocorrido por determinação do médico, com auxílio do caseiro e de um ex-funcionário. Os três foram autuados em flagrante.

Durante as buscas na propriedade, os policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. A apreensão resultou na autuação do cardiologista por posse irregular de armas.

A perícia preliminar também apontou divergências entre elementos encontrados no local e a versão apresentada por João Jazbik Neto. O caso permanece sob investigação da Polícia Civil, que aguarda novos laudos e depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte de Fabiola Marcotti.


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