Política / Justiça
Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF e impõe derrota histórica ao governo Lula
Nome do advogado-geral da União recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis; Planalto terá de indicar novo candidato à vaga deixada por Luís Roberto Barroso
29/04/2026
18:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, 29 de abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção.
Para ser aprovado, Messias precisava receber ao menos 41 votos favoráveis, o equivalente à maioria absoluta dos 81 senadores. Com o resultado, a mensagem de indicação será arquivada, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de encaminhar um novo nome ao Senado.
A rejeição representa uma derrota política relevante para o governo federal e marca um episódio raro na história institucional do país. Segundo a Agência Senado, a última rejeição de nomes indicados ao Supremo havia ocorrido em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto.
A vaga em disputa era a deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria do STF. O nome de Jorge Messias havia sido anunciado por Lula em novembro de 2025, mas a mensagem oficial com a indicação só chegou ao Senado no início de abril de 2026, conforme registro da Agência Brasil.
Antes da votação em plenário, Jorge Messias passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na comissão, a indicação foi aprovada por 16 votos favoráveis e 11 contrários, mas o resultado não se repetiu na votação secreta realizada pelo conjunto dos senadores.
Durante a sabatina, Messias defendeu o aperfeiçoamento do funcionamento do Supremo Tribunal Federal, respondeu a questionamentos de governistas e oposicionistas e tratou de temas sensíveis, como a atuação individual de ministros e debates ligados a costumes.
Após a derrota, o advogado-geral da União afirmou que o Senado é soberano e que o resultado faz parte do processo democrático.
“A vida é assim. Tem dias de vitória e dias de derrota, nós temos que aceitar. O Senado é soberano, o Plenário do Senado é soberano. Agradeço os votos que recebi. Faz parte do processo democrático saber ganhar e saber perder”, declarou Messias, segundo a Agência Senado.
A indicação enfrentou resistência desde o anúncio. A oposição, liderada por nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atuou contra a aprovação. Ao mesmo tempo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não se engajou publicamente pela aprovação do nome escolhido pelo Planalto.
Nos bastidores, a relação entre o governo e o comando do Senado já vinha tensionada. Alcolumbre defendia outro nome para a vaga, o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e demonstrou incômodo com a forma como o Planalto conduziu a indicação.
O presidente do Senado também criticou a demora do Executivo em enviar formalmente a mensagem de indicação. Embora o nome tenha sido anunciado em novembro de 2025, o documento oficial só chegou à Casa meses depois.
Com a rejeição, o governo Lula precisará reiniciar a articulação para preencher a cadeira aberta no Supremo Tribunal Federal. A nova escolha deverá levar em conta não apenas o perfil jurídico do indicado, mas também a capacidade de negociação política com o Senado.
Nas indicações anteriores feitas por Lula neste mandato, os nomes aprovados tiveram placares mais confortáveis. Cristiano Zanin recebeu 58 votos favoráveis, enquanto Flávio Dino foi aprovado com 47 votos.
O resultado desta quarta-feira expõe uma derrota incomum para o Planalto e reforça o peso político do Senado no processo de escolha de ministros do Supremo. Pela Constituição, cabe ao presidente da República indicar o nome, mas a posse depende de aprovação pela maioria absoluta dos senadores.
Agora, a expectativa se volta para o próximo movimento do governo federal e para a construção de um nome capaz de reunir apoio suficiente no Senado.
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