Política / Eleições 2026
Indicação de Pollon reconfigura tabuleiro do PL e pressiona Reinaldo e Capitão Contar em MS
Carta atribuída a Jair Bolsonaro altera cenário interno; exclusão de um dos nomes pode impactar fundo partidário, tempo de TV e alianças para 2026
01/03/2026
21:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A sinalização pública de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao deputado federal Marcos Pollon (PL) para o Senado em Mato Grosso do Sul redesenhou o cenário interno do Partido Liberal no Estado e colocou em posição delicada o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL).
Na semana anterior, o vazamento de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) indicava Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como nomes alinhados ao projeto bolsonarista para a disputa ao Senado. A divulgação de um bilhete publicado por Michelle Bolsonaro, no entanto, apontando Marcos Pollon como candidato do ex-presidente, alterou o equilíbrio interno da legenda.
Com a definição de que uma das vagas ao Senado estaria sob influência direta de Bolsonaro, cresce a expectativa de que apenas um dos dois nomes — Reinaldo ou Contar — permaneça na coligação com apoio do núcleo bolsonarista.
No caso de Capitão Contar, a eventual exclusão do grupo apoiado por Bolsonaro pode representar impacto significativo na estrutura de campanha. O PL detém o maior fundo partidário do país e amplo tempo de propaganda eleitoral, recursos considerados estratégicos para uma disputa majoritária.
Sem o respaldo formal do partido e do ex-presidente, Contar teria campanha reduzida em termos financeiros e de visibilidade. O ex-deputado já enfrentou episódios de oscilação no apoio bolsonarista. Em 2022, na eleição ao Governo do Estado, Bolsonaro inicialmente alinhou-se ao grupo de Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel, mas posteriormente declarou apoio a Contar durante debate nacional.
Após a derrota no segundo turno, Contar foi mencionado como possível candidato à Prefeitura de Campo Grande, mas acabou não disputando o pleito. Nos bastidores, a orientação teria sido priorizar outro cargo legislativo antes de uma nova candidatura ao Executivo.
Já o ex-governador Reinaldo Azambuja enfrenta um impasse político. Caso permaneça no PL, poderá ter de aceitar a liderança nacional da legenda na definição das candidaturas. Uma eventual saída do partido poderia desencadear ruptura com o núcleo bolsonarista e afetar a base de apoio ao governador Eduardo Riedel (PSDB).
A avaliação nos bastidores é de que um rompimento ampliaria a margem de atuação de outras lideranças, como o deputado estadual João Henrique Catan (PL), que poderia migrar para outra legenda e disputar espaço com o apoio direto de Bolsonaro.
Reinaldo, por outro lado, conta com o compromisso do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, de garantir espaço político e sustentação ao seu grupo no Estado.
O episódio expõe a disputa interna por protagonismo dentro do campo conservador sul-mato-grossense. A definição oficial das candidaturas dependerá das convenções partidárias e das negociações nacionais do PL, mas o movimento recente indica que a decisão final passa, prioritariamente, pela orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos próximos meses, a consolidação das alianças e a divisão dos recursos partidários deverão definir quem permanecerá sob a estrutura oficial da legenda e quem precisará buscar novo caminho político para as eleições de 2026.
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