Polícia / Investigação
Operação “Cartas Marcadas” cumpre 76 mandados em investigação sobre contratos de R$ 9 milhões em MS
Justiça determina afastamento de 5 servidores e suspensão de contratos em cinco municípios
10/02/2026
11:00
CGN
DA REDAÇÃO
©MARCOS MALUF
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a Operação Cartas Marcadas, com cumprimento de 76 mandados judiciais em Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos.
A ação inclui 46 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de afastamento de cargos públicos, 3 decisões de suspensão de contratos vigentes e 22 determinações de proibição de contratar com o Poder Público. A investigação apura suposto esquema de corrupção em licitações e contratos firmados nos últimos três anos, que somam aproximadamente R$ 9 milhões.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, as apurações indicam a existência de organização criminosa instalada principalmente nos municípios de Corguinho e Rio Negro, com núcleos estruturados de atuação e liderança atribuída a agentes políticos.
Entre os servidores afastados está um funcionário da Prefeitura de Rio Negro, conforme confirmou o prefeito Henrique Mitsuo Vargas Ezoe (PL). Segundo ele, a determinação judicial já foi cumprida e um dos contratos investigados havia sido previamente suspenso pela administração municipal.
A Justiça também determinou a suspensão de três contratos sob investigação e proibiu empresas envolvidas de firmarem novos vínculos com o Poder Público.
Conforme o MPMS, o grupo investigado utilizava servidores públicos para frustrar o caráter competitivo de licitações, direcionando certames a empresas previamente escolhidas.
Entre as irregularidades apontadas estão:
Manipulação de dispensas de licitação para aquisição de materiais de expediente;
Contratação de empresas para execução de obras públicas antes da formalização contratual;
Ajustes prévios para conferir aparência de legalidade a processos já direcionados.
As investigações tiveram como base provas extraídas de aparelhos celulares apreendidos nas operações Turn Off e Malebolge, cujo conteúdo foi compartilhado mediante autorização judicial. Segundo o Ministério Público, o material revelou o modus operandi do grupo e permitiu identificar os supostos articuladores do esquema.
O nome “Cartas Marcadas” faz referência a jogo previamente manipulado, no qual o resultado é conhecido antes mesmo do início. De acordo com o MPMS, essa seria a lógica aplicada aos processos licitatórios investigados, que teriam sido direcionados antecipadamente às empresas beneficiadas.
A operação contou com apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais e do Batalhão de Choque da Polícia Militar.
O Ministério Público informou que as investigações seguem em andamento para identificar a extensão do esquema e eventual responsabilização criminal e administrativa dos envolvidos.
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