Política / Economia
Lula sanciona Reforma Tributária e lança plataforma nacional de arrecadação
Novo sistema digital terá capacidade para processar 200 milhões de operações por dia e centralizar a cobrança dos novos tributos
13/01/2026
18:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta terça-feira (13), com vetos, o projeto de lei que conclui a regulamentação da Reforma Tributária e lançou oficialmente a plataforma digital que irá consolidar a arrecadação dos novos impostos no Brasil. O evento ocorreu na sede do Serpro, em Brasília, responsável pelo desenvolvimento do sistema.
A cerimônia contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão e Serviços Públicos), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Durante o evento, Lula destacou o impacto estrutural da reforma:
“O momento é histórico. Estamos superando barreiras que durante décadas pareciam impossíveis”, afirmou o presidente, ao defender a modernização do sistema tributário brasileiro.
O ministro Fernando Haddad ressaltou que o novo modelo permitirá uma visão completa e integrada da economia brasileira, com dados detalhados sobre arrecadação, preços e atividade econômica nos municípios.
A plataforma lançada pelo governo será o coração operacional da Reforma Tributária. O sistema foi testado por mais de 400 empresas nos últimos seis meses e terá capacidade para:
Processar até 200 milhões de operações por dia
Movimentar cerca de 5 petabytes de dados por ano
Segundo Haddad, trata-se de um dos sistemas tributários digitais mais modernos do mundo.
O texto sancionado detalha a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será responsável por:
Arrecadar o imposto
Fazer a compensação e distribuição entre estados e municípios
Uniformizar a aplicação da lei
Centralizar obrigações acessórias
A estrutura do comitê prevê:
54 membros, sendo 27 indicados pelos estados e 27 pelos municípios
Independência técnica e orçamentária
Rodízio da presidência entre estados e municípios
Mínimo de 30% de mulheres na diretoria executiva
Durante a fase de transição, as cadeiras dos municípios serão divididas entre a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e a Confederação Nacional de Municípios (CNM).
A partir de 2026, o comitê gestor terá reuniões trimestrais, podendo ser convocado extraordinariamente. Para aprovação de decisões, será necessário:
Maioria absoluta dos representantes
Apoio de estados que representem mais da metade da população brasileira
Maioria dos representantes dos municípios
A lei sancionada também define normas gerais para:
ITCMD (heranças e doações)
ITBI (transferência de imóveis)
Cosip (iluminação pública)
O ITCMD passará a ser progressivo, com alíquotas definidas por cada estado, respeitando o teto estabelecido pelo Senado.
Empresas poderão utilizar créditos de ICMS acumulados até 31 de dezembro de 2032 para:
Compensar débitos futuros do IBS
Ou receber devolução parcelada, conforme regras de transição
Para o setor financeiro — como crédito, câmbio e seguros — foi criado um regime específico, com:
Alíquota inicial de 10,85% em 2027
Elevação gradual até 12,5% em 2033
Durante a fase de transição, enquanto o ISS ainda for cobrado, haverá redução proporcional para evitar bitributação.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a reforma marca uma virada histórica:
“O Brasil conviveu por décadas com um sistema complexo que limitava nosso crescimento. Hoje iniciamos uma nova era de cidadania fiscal, produtividade e segurança jurídica.”
A sanção da Reforma Tributária e o lançamento da plataforma nacional consolidam a maior mudança no sistema de impostos do país em mais de meio século, abrindo caminho para simplificação, transparência e maior competitividade da economia brasileira.
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