Campo Grande (MS), Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026

Economia / Relações Internacionais

Nelsinho Trad apresenta a Rota Bioceânica a empresários chineses em encontro na Embaixada da China

Projeto que liga o Brasil ao Pacífico foi apresentado a missão de Guangdong como alternativa logística estratégica para o mercado asiático

13/01/2026

10:30

OE

DA REDAÇÃO

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O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e da Frente Parlamentar Brasil–China, apresentou o potencial estratégico da Rota Bioceânica a empresários chineses durante reunião realizada nesta segunda-feira (12), na Embaixada da China, em Brasília.

O encontro reuniu membros da ACBTV (Associação China Brasil dos Transportes de Veículos), autoridades brasileiras e representantes da Missão Promotora de Negócios de Guangdong/Guangzhou no Brasil, liderada por Chen Xiaofeng, presidente do Comitê de Guangdong do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT).

Corredor entre Atlântico e Pacífico

Durante a apresentação, Nelsinho Trad destacou que a Rota Bioceânica conectará o Brasil ao Oceano Pacífico por meio de um corredor rodoviário de mais de 2,4 mil quilômetros, ligando Mato Grosso do Sul ao Chile, via Paraguai e Argentina, permitindo o escoamento de cargas para a Ásia com redução de até 40% nos custos logísticos.

“Eu tive a oportunidade de apresentar esse projeto ao presidente Xi Jinping, ainda em 2019, durante um encontro do BRICS. Trata-se de um traçado que vai oportunizar levar os produtos brasileiros ao continente asiático com custo até 40% menor”, afirmou o senador.

Segundo Trad, o corredor termina no Chile, onde três portos no Pacífico permitirão a conexão direta com os mercados asiáticos.

Interesse da China e articulação diplomática

O senador relatou que o projeto já foi apresentado a representantes da ASEAN e ao embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, como parte de uma estratégia diplomática para atrair investimentos e parceiros internacionais.

“Essa rota representa uma oportunidade de negócio muito interessante para a China, porque vai baratear significativamente os custos de transporte”, destacou.

A missão chinesa conta com executivos como Chen Lanhn, Wang Shuyan, Xie Zixi, Lou Guoxing, Deng Weibin, He Wenbin e Wang Xiao, representantes de setores como logística, indústria, tecnologia, biomedicina e materiais de construção.

Chen Xiaofeng afirmou que o CCPIT Guangdong atua como uma ponte entre o governo e o setor privado, reunindo mais de 95 mil empresas exportadoras.

Potencial de Mato Grosso do Sul

O empresário Jaime Valler, proprietário do jornal O Estado, apresentou aos chineses as oportunidades de investimento em Mato Grosso do Sul, com destaque para infraestrutura, logística e projetos estruturantes.

“Nosso Estado tem diversas obras fundamentais que precisam de investimentos. Há projetos que podem ser explorados por muitos anos, com boa lucratividade”, afirmou.

Educação e indústria no radar

Outros setores também se apresentaram como potenciais parceiros da China.
O diretor-geral do Grupo Planeta/Barsa, Anderson Silva, destacou o interesse em tecnologia e cooperação educacional.

João Mendes, diretor comercial da Flexibase, afirmou que a empresa busca importar componentes para móveis corporativos e já tem viagem marcada para a China em março para avançar nas negociações.

Acordo TIR viabiliza a rota

O encontro ocorre em momento decisivo para a consolidação da Rota Bioceânica. Sob relatoria de Nelsinho Trad, o Congresso Nacional ratificou e a Presidência da República promulgou a Convenção Aduaneira TIR, que padroniza o trânsito internacional de cargas e elimina gargalos burocráticos do corredor.

O acordo foi formalizado pelo Decreto Legislativo nº 267/2025 e passa a alinhar o Brasil aos sistemas já adotados por Paraguai, Argentina e Chile.

“A Rota Bioceânica só será plenamente viável se o Brasil operar no mesmo regime aduaneiro que nossos vizinhos. Não é apenas uma convenção, é uma ferramenta que coloca o Brasil no mesmo nível de eficiência logística dos demais países do corredor”, concluiu o senador.


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