Política / Luto
Morre Antônio Braga, ex-deputado estadual e ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul
Político histórico da Capital, ele faleceu aos 87 anos em Campo Grande após enfrentar câncer pulmonar
13/01/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-deputado estadual e ex-secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Braga, morreu na manhã desta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, aos 87 anos, em sua residência, em Campo Grande. Ele lutava contra um câncer pulmonar há cerca de um ano.
A informação foi confirmada pelo sobrinho, o médico João Freire. Segundo ele, Braga faleceu por volta das 8h30, enquanto dormia. O velório ocorrerá nesta quarta-feira (14), a partir das 9h, no Cemitério Jardim das Palmeiras, com sepultamento previsto para as 14h.
Nascido em 17 de maio de 1938, Antônio Braga era campo-grandense, embora registrado em Três Lagoas, onde passou parte da infância. Filho de um ferroviário e de uma dona de casa, começou a trabalhar ainda aos 14 anos, como mensageiro da Noroeste do Brasil, em Campo Grande.
Formou-se em Direito em São Paulo, mas retornou a Mato Grosso do Sul, onde construiu uma trajetória marcada pela defesa da moradia e dos direitos sociais, atuando como advogado em comunidades carentes e áreas periféricas da Capital.
Antônio Braga foi eleito vereador de Campo Grande em 1983, sendo reeleito por mais três mandatos. Entre 1995 e 1998, presidiu a Câmara Municipal, período em que se destacou pela atuação em políticas de integração social, regularização fundiária e fortalecimento das associações de moradores.
Foi autor de leis que declararam de utilidade pública entidades comunitárias, como as dos bairros Jardim Carioca e Jardim Panorama, além de incentivar a formação de lideranças populares, que mais tarde ingressariam na política institucional.
Um dos principais quadros formados por Braga foi o atual vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), hoje em seu quinto mandato e ex-presidente da Câmara.
“Eu comecei a trabalhar com ele em 1987 e fiquei 11 anos ao lado dele. Ele foi muito atuante na questão da moradia, das favelas e da regularização fundiária”, afirmou Carlão.
Por indicação de Braga, Carlão ocupou cargos estratégicos, como secretário-adjunto de Assuntos Fundiários e chefe de gabinete da Presidência da Câmara.
“Ele, junto com o doutor Américo Nicoletti, foi um dos primeiros vereadores a dar importância aos líderes de bairro e às lideranças comunitárias”, completou.
Após deixar a Câmara Municipal, Braga foi eleito deputado estadual pelo PDT em 1999 e reeleito em 2003. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), foi vice-presidente e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, responsável pela análise jurídica dos projetos de lei.
Mais tarde, foi convidado pelo então governador José Orcírio Miranda dos Santos (Zeca do PT) para assumir a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado, cargo no qual atuou na condução de políticas estratégicas para o setor.
Após deixar a vida política institucional, Antônio Braga passou a se dedicar à família, mantendo-se como conselheiro político de diversas lideranças do Estado.
Para Carlão, a perda é pessoal e histórica:
“Eu hoje, se sou vereador e se sou a pessoa que sou, devo muito ao Braga. Ele acreditou em mim. Antônio Braga, meu amigo, que Deus o tenha.”
A morte de Antônio Braga encerra um dos capítulos mais importantes da história política e social de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, marcado pela defesa das comunidades mais vulneráveis e pela formação de gerações de lideranças públicas.
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