Campo Grande (MS), Domingo, 06 de Abril de 2025

POLÍTICA

Na ONU, Lula critica falta de capacidade de negociação entre líderes mundiais

Presidente brasileiro destacou necessidade de reforma estrutural na governança global e no Conselho de Segurança da ONU

24/09/2024

12:05

AGÊNCIA BRASIL

DA REDAÇÃO

© Ricardo Stuckert/PR

Nesta terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a incapacidade de negociação entre os líderes globais durante seu discurso de abertura no debate de chefes de Estado da 79ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Lula destacou a ineficiência das ações tomadas para enfrentar os desafios mundiais, como a crise climática, e ressaltou a necessidade de uma reforma urgente na governança global.

“O enfraquecimento da capacidade de diálogo e negociação é evidente, como demonstrado na aprovação limitada do Pacto para o Futuro, um documento que busca reforçar a cooperação global”, afirmou Lula. Ele criticou a falta de união, citando como exemplo a ausência de um Tratado sobre Pandemias na Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo após a tragédia da pandemia de COVID-19.

Crise da governança global e reforma da ONU

Lula enfatizou que a crise na governança global requer transformações estruturais, algo que ele acredita recair sobre a Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, a Carta das Nações Unidas, que está prestes a completar 80 anos, nunca passou por uma reforma significativa. Ele mencionou que, na época de sua fundação, a ONU contava com 51 países, enquanto hoje são 193 nações.

O presidente também destacou a ausência de um equilíbrio de gênero nas principais funções da organização e a falta de representantes de países emergentes no Conselho de Segurança da ONU. “A exclusão da América Latina e da África de assentos permanentes no Conselho de Segurança é um eco inaceitável de práticas de dominação do passado colonial”, disse Lula.

Propostas do Brasil para a reforma da ONU

O presidente brasileiro apresentou propostas para fortalecer a governança global, como a transformação do Conselho Econômico e Social no principal fórum para tratar de desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, além da revitalização da Assembleia Geral e da reforma do Conselho de Segurança. Lula destacou que o direito de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido — é um dos grandes obstáculos para uma governança mais justa e eficaz.

Lula reconheceu a complexidade dessa reforma, mas ressaltou que é uma responsabilidade coletiva avançar nesse sentido. “Não podemos esperar por outra tragédia mundial para reformar a governança global”, afirmou o presidente.

Temas prioritários do Brasil no G20

O discurso de Lula também refletiu as prioridades do Brasil como presidente do G20 até novembro, destacando o combate às desigualdades, a luta contra a fome, e o enfrentamento das mudanças climáticas. O Brasil atualmente lidera o bloco que reúne 19 países e duas entidades regionais — a União Europeia e a União Africana.

Reuniões e eventos paralelos

Lula participou de várias reuniões bilaterais nos últimos dias, incluindo encontros com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ele também coordenou o evento "Em defesa da democracia, combatendo os extremismos", juntamente com o presidente espanhol Pedro Sanchez, visando fortalecer as instituições no combate à desigualdade, à desinformação e ao radicalismo.

#jornaldoestadoms


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