Política / Eleições 2026
Michelle cobra desculpas públicas e mantém distância da campanha de Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama condiciona participação mais ativa a gesto dos filhos de Jair Bolsonaro, em meio a tensão interna no PL
22/06/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A entrada de Michelle Bolsonaro na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro ainda depende de uma solução para o desgaste familiar dentro do núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações da colunista Bela Megale, do jornal O Globo, a ex-primeira-dama condiciona uma participação efetiva na pré-campanha do senador a um pedido público de desculpas por parte dos filhos de Bolsonaro.
Nos bastidores do PL, a relação entre Michelle e Flávio Bolsonaro é descrita como distante há algum tempo. O clima piorou depois que o senador a chamou de “autoritária”, em meio à crise provocada pela crítica dela à aliança do partido com Ciro Gomes no Ceará. O episódio aumentou a tensão interna e expôs divergências sobre os rumos da legenda.
A situação também envolve Eduardo Bolsonaro. A relação entre ele e Michelle segue estremecida desde que o ex-deputado manifestou publicamente resistência à possibilidade de a ex-primeira-dama disputar a Presidência da República ou ocupar uma eventual candidatura a vice. Eduardo foi um dos principais defensores da candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, em articulação feita com o próprio Jair Bolsonaro.
Aliados de Michelle afirmam que ela não pretende assumir papel ativo na campanha enquanto não houver um gesto público dos enteados. Para esse grupo, a ex-primeira-dama considera essencial que os atritos sejam reconhecidos de forma clara antes de qualquer reaproximação política.
Na última semana, ao ser questionada sobre quando entraria na campanha de Flávio Bolsonaro, Michelle evitou estabelecer prazo. Ela afirmou que, neste momento, sua atenção está voltada a Jair Bolsonaro, sem indicar mudança imediata de postura em relação à disputa eleitoral.
A resistência de Michelle preocupa integrantes do PL, especialmente diante da movimentação nas pesquisas eleitorais. Lideranças da legenda avaliam que a presença da ex-primeira-dama poderia ajudar a mobilizar setores do eleitorado bolsonarista e reduzir o desgaste interno provocado pela divisão familiar.
Nos bastidores, dirigentes do partido tentam atuar como mediadores para reaproximar Michelle dos filhos do ex-presidente. O argumento usado por aliados é que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia fortalecer politicamente o grupo e criar melhores condições para a defesa dos interesses de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
A tensão ocorre em meio a outros fatores que pressionam a pré-campanha. Em rodada anterior de pesquisa, divulgada após a revelação de que Flávio Bolsonaro havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, o presidente Lula aparecia com 40%, enquanto o senador marcava 31%. A margem de erro era de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Apesar das tentativas de conciliação, até agora os filhos do ex-presidente não demonstraram disposição pública para atender à exigência de Michelle. Com isso, a participação da ex-primeira-dama na campanha segue indefinida e se tornou mais um ponto de tensão na estratégia eleitoral do PL.
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