Justiça / Finanças
PGR rejeita prisão domiciliar para Daniel Vorcaro e deixa transferência nas mãos do STF
Procuradoria afirmou que não há fato novo para mudar decisão anterior e que caberá a André Mendonça definir onde o banqueiro ficará preso
15/06/2026
19:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a concessão de prisão domiciliar ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afirmou que caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) definir o local adequado para o cumprimento da prisão. Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, no âmbito da investigação sobre supostas fraudes no Sistema Financeiro Nacional.
A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, no mesmo momento em que a PGR rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa do banqueiro. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o novo material oferecido por Vorcaro não trouxe elementos inéditos capazes de justificar o avanço das negociações.
O ministro havia solicitado que a Procuradoria se posicionasse sobre o pedido da Polícia Federal (PF) para transferir o banqueiro da sede da corporação. A defesa, por outro lado, pediu que ele fosse colocado em prisão domiciliar.
Segundo a avaliação da PGR, o pedido de prisão domiciliar já havia sido analisado e rejeitado por um colegiado do STF. Desde então, conforme o entendimento da Procuradoria, não surgiu fato novo que justifique a revisão da decisão.
Em relação à transferência, a PGR afirmou que a definição cabe ao próprio Supremo, levando em conta o local mais adequado para a custódia e o grau de risco atribuído ao investigado. Agora, a palavra final sobre a permanência de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal ou sua eventual transferência para outro estabelecimento ficará com André Mendonça.
A Polícia Federal defende que o banqueiro deixe a sede da corporação em Brasília. A avaliação dos investigadores é de que a permanência no local pode interferir no andamento das apurações. A defesa, no entanto, tenta evitar a transferência e busca uma alternativa menos restritiva.
O impasse ocorre em meio à nova negativa da delação premiada. Tanto a PF quanto a PGR entenderam que o material apresentado por Daniel Vorcaro não contribui de forma relevante para o avanço das investigações. Investigadores chegaram a classificar a proposta como limitada e seletiva, por trazer informações já conhecidas ou parcialmente conhecidas pelas autoridades.
A PGR também apontou ausência de elementos novos e falta de compromisso efetivo com a devolução de valores. Segundo fontes ligadas ao caso, parte dos relatos apresentados pelo banqueiro teria sido baseada em expressões genéricas, como informações que ele teria “ouvido dizer”, sem indicação precisa de provas, valores ou fatos inéditos.
Com a manifestação da Procuradoria, André Mendonça deverá decidir os próximos passos das negociações sobre eventual colaboração premiada e também o local onde o investigado permanecerá preso. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro e segue sob apuração da Polícia Federal.
A decisão sobre a custódia de Daniel Vorcaro terá impacto direto no andamento da investigação. Para a acusação, a prisão deve preservar a segurança da apuração e evitar riscos ao processo. Para a defesa, a discussão envolve as condições pessoais do investigado e a possibilidade de cumprimento da medida em regime domiciliar.
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