Conflito / Fundiário
Zeca do PT vê ação isolada e questiona motivação de ataque a fazenda em Sidrolândia
Deputado participou de reunião com caciques da Terra Indígena Buriti e afirmou que episódio precisa ser investigado com rigor
15/06/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual Zeca do PT afirmou nesta segunda-feira, 15 de junho, que o ataque a uma fazenda em Sidrolândia precisa ser investigado com rigor e questionou se o episódio pode ter sido usado para criar um ambiente de tensão às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Mato Grosso do Sul.
A declaração foi dada após reunião com oito dos 18 caciques da Terra Indígena Buriti, em Sidrolândia. Durante o encontro, lideranças indígenas registraram em ata que a ação ocorrida no fim de semana teria sido isolada, sem articulação prévia com os demais caciques da região.
Segundo Zeca do PT, o momento do ataque chama atenção por ocorrer poucos dias antes da agenda presidencial no Estado. O parlamentar afirmou considerar estranho um episódio dessa gravidade acontecer justamente no período que antecede a presença de Lula em Mato Grosso do Sul e levantou a hipótese de tentativa de criar um clima de instabilidade.
O presidente deve estar em Ponta Porã no fim do mês para participar de ato do Programa Terra da Gente e de ações de estruturação produtiva no Assentamento Itamarati. A agenda prevê a entrega de 1,4 mil títulos de regularização fundiária.
A ata da reunião com os caciques deverá ser encaminhada às autoridades. O documento pede providências para a regularização e demarcação da Terra Indígena Buriti, cobra a investigação dos ataques e defende a responsabilização individual dos envolvidos.
No documento, as lideranças indígenas afirmam que a ação foi restrita a lideranças específicas da Aldeia Buriti. Também registraram que não houve comunicação ou articulação com os demais caciques e que não concordam com atos de depredação, subtração de bens ou violência.
Além de Zeca do PT, o deputado federal Vander Loubet (PT) também participou da agenda com as lideranças indígenas. Os parlamentares disseram que pretendem levar o conteúdo da ata a autoridades federais, incluindo o presidente Lula, durante a visita ao Estado.
Ataque a fazenda
O caso ocorreu na noite de sábado, 13 de junho, segundo denúncia apresentada à polícia pela proprietária de uma fazenda em Sidrolândia. Ela relatou que um grupo de indígenas ligado à região da Aldeia Buriti teria entrado na propriedade, causado danos, incendiado máquinas agrícolas e retido funcionários no local.
Na manhã de domingo, 14 de junho, equipes policiais foram até a propriedade para verificar a ocorrência e ouvir as partes envolvidas. A denunciante informou que máquinas e insumos agrícolas foram queimados durante a invasão.
Ainda conforme o relato apresentado à polícia, mulheres e crianças teriam sido mantidas no local contra a vontade, e trabalhadores da fazenda teriam sido algemados pelos invasores.
De acordo com a Polícia Militar, equipes especializadas estiveram na propriedade e constataram danos ao patrimônio, destruição de maquinários, furtos de insumos e focos de incêndio. Árvores também teriam sido derrubadas e usadas como barricadas para dificultar o acesso das forças de segurança.
O episódio ampliou a tensão em uma área marcada por disputa fundiária antiga. A Terra Indígena Buriti é alvo de reivindicações históricas por regularização, enquanto produtores rurais cobram segurança e proteção às propriedades.
A partir da reunião desta segunda-feira, os parlamentares e lideranças indígenas passaram a defender dois encaminhamentos simultâneos: a apuração dos crimes registrados na fazenda e a busca de uma solução institucional para o impasse territorial.
Para Zeca do PT, a responsabilização deve recair sobre quem participou diretamente dos ataques, sem generalizar a culpa para toda a comunidade indígena da região. O parlamentar também defendeu que o conflito seja tratado pelo poder público antes que novos episódios agravem a insegurança em Sidrolândia.
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