Campo Grande (MS), Sábado, 13 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

Zema chama caso Master de “caixa de Pandora” e mira Flávio Bolsonaro

Pré-candidato do Novo voltou a criticar ligação de adversários com Daniel Vorcaro e negou contrapartida em doação ao partido

13/06/2026

09:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, do Novo, voltou a usar o caso do Banco Master para criticar adversários no campo da direita, especialmente o senador Flávio Bolsonaro, do PL, também apontado como possível candidato ao Planalto. Em entrevista ao Brasil Paralelo, Zema classificou o episódio envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, como uma “caixa de Pandora”.

Sem citar diretamente o nome de Flávio, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que o caso ainda deve produzir novos desdobramentos. Segundo ele, investigações que envolvem celulares e mensagens costumam revelar informações ao longo do tempo, o que pode manter o tema em evidência nos próximos meses.

O caso Master é uma caixa de Pandora, tem coisa aí que vai continuar brotando por muitos meses, porque um celular guarda muitas informações”, declarou Romeu Zema durante a entrevista.

Zema também afirmou que não poderia apoiar ou minimizar a proximidade de figuras públicas com Daniel Vorcaro. O ex-governador lembrou que mora em Belo Horizonte, mesma cidade de origem do ex-banqueiro, mas disse nunca ter se reunido com ele nem recebido pedido de audiência.

Eu moro na mesma cidade dele, Belo Horizonte, onde ele nasceu, tem esposa, filhos, fez colégio. Encontrei com ele zero vezes, nunca pediu reunião ou audiência”, afirmou. Em seguida, completou: “Fantasma sabe para quem aparecer. Nunca pediu nada porque sabia a resposta que teria”.

Ao comentar a repercussão do caso, Zema disse ter ficado indignado com as conexões políticas atribuídas a Vorcaro. Para ele, agentes públicos que mantêm proximidade com pessoas investigadas devem ser observados com cautela. “Quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, declarou.

O pré-candidato também foi questionado sobre uma doação de R$ 1 milhão feita por Daniel Vorcaro ao Novo em 2022. Zema afirmou que, naquele momento, não havia suspeitas públicas contra o ex-banqueiro e disse que a contribuição não envolveu qualquer tipo de contrapartida.

Segundo Zema, Vorcaro fez doações a outras legendas e, no caso do Novo, o valor teria sido pequeno diante da capacidade financeira do empresário. “Se ele doou, não foi com nenhuma contrapartida, porque ninguém no partido Novo nunca se comprometeu com ele a nada”, afirmou.

O ex-governador também comentou a relação entre Novo e PL, partidos que mantêm alianças regionais em alguns estados. De acordo com ele, a parceria é mais forte na região Sul e em Goiás, mas isso não impede críticas quando houver divergência política ou suspeitas envolvendo figuras públicas.

Zema reconheceu que suas declarações anteriores contra Flávio Bolsonaro causaram desconforto em parte da direita, mas afirmou que não pretende recuar. “Teve gente que não achou boa minha declaração, mas a minha luta é pelos intocáveis. Se eu critiquei ministro próximo ao banqueiro, se meu filho estiver próximo, eu vou criticar. É questão de coerência”, disse.

As falas de Romeu Zema ampliam a tensão dentro do campo oposicionista, em um momento em que nomes da direita e da centro-direita disputam espaço para a eleição presidencial. O caso Master, por envolver dinheiro, política e investigações federais, tende a seguir como ponto de desgaste e cobrança entre possíveis adversários na corrida ao Planalto.


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