Segurança / Atendimento
Polícia Científica padroniza acolhimento a famílias de pessoas desaparecidas em MS
Novo protocolo orienta servidores sobre coleta de informações, escuta humanizada e encaminhamentos para identificação humana
06/06/2026
14:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) criou um protocolo para padronizar o atendimento a familiares que procuram informações sobre pessoas desaparecidas ou sobre corpos não identificados e não reclamados.
A medida estabelece um fluxo de acolhimento, registro e encaminhamento nas unidades de medicina legal do Estado, com o objetivo de evitar que dados importantes se percam durante as buscas e os processos de identificação humana.
Pelo novo procedimento, informações como vestimentas, características físicas, último horário e local onde a pessoa foi vista, fotografias e contatos de familiares passam a integrar o atendimento inicial.
O protocolo também orienta os servidores sobre a forma correta de ouvir os familiares, registrar os dados e verificar se já existe boletim de ocorrência de desaparecimento. Caso o registro ainda não tenha sido feito, a equipe deverá encaminhar a família à Polícia Civil.
Em algumas situações, os familiares também poderão ser orientados sobre a coleta de material biológico, que pode auxiliar futuros exames de DNA em processos de identificação.
Além dos procedimentos técnicos, o documento reforça a importância de um atendimento com privacidade, linguagem clara e atenção ao estado emocional de quem busca uma resposta. A orientação é evitar frases ou expressões que, mesmo ditas com boa intenção, possam aumentar o sofrimento da família.
As regras valem para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Campo Grande, e para os 14 Núcleos Regionais de Medicina Legal instalados em Mato Grosso do Sul.
Na prática, o Procedimento Operacional Padrão (POP) organiza o atendimento desde o primeiro contato com a família, garantindo que as informações sejam registradas de forma completa e possam ser consultadas posteriormente pelas equipes responsáveis.
O procedimento foi elaborado pelo agente de Polícia Científica Vicente Luis Bacelar Barros. Segundo ele, a padronização busca oferecer orientação adequada em um momento de grande angústia para os familiares.
“Tudo que a família quer é encontrar a pessoa. Ela quer colocar um ponto final, ter direito ao luto. Quando não há uma resposta naquele momento, é preciso registrar as informações, orientar os encaminhamentos possíveis e manter essa família informada dentro do fluxo institucional”, afirmou.
O coordenador-geral de Perícias da PCi-MS, Nelson Fermino Junior, destacou que a medida garante o mesmo padrão de atendimento em todas as unidades do Estado.
“O familiar que procura uma unidade de medicina legal precisa encontrar o mesmo padrão de orientação, esteja ele em Campo Grande ou em um Núcleo Regional. Um dado colhido de forma incompleta pode dificultar consultas futuras. Por isso, o POP organiza o atendimento desde o primeiro contato”, pontuou.
Os servidores das unidades de medicina legal passarão por treinamento para aplicação do novo protocolo. A capacitação abordará a escuta dos familiares, o preenchimento correto dos registros, o cuidado com a linguagem e a necessidade de retorno sobre os encaminhamentos adotados.
Com a padronização, a Polícia Científica busca fortalecer o trabalho de identificação humana, qualificar o atendimento à população e oferecer mais segurança às famílias que vivem a angústia do desaparecimento de uma pessoa próxima.
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