Artigo / Opinião
“Trincheira da Liberdade” e “Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo”: dois livros em prol da cidadania
05/06/2026
15:00
DA REDAÇÃO
Ives Gandra da Silva Martins ©Andreia Tarelow
O cientista político Luiz Felipe D'Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos dois livros em prol da cidadania.
As obras contam com a colaboração de mais de 40 dos mais importantes juristas e professores do Brasil, especialistas em suas respectivas áreas de atuação, para tentar, de forma científica e racional, auxiliar todos os segmentos da sociedade a pensar sobre o nosso atual cenário político, econômico e social, bem como sobre o futuro do País.
O primeiro livro, “Trincheira da Liberdade”, sob a coordenação de Luiz Felipe D'Avila e minha, analisa a importância de uma democracia baseada na liberdade de expressão, considerando que a palavra é a grande arma de uma sociedade democrática; na liberdade de empreendimento, essencial para permitir o desenvolvimento, como ocorre nas grandes nações; e na liberdade religiosa.
Defendemos que aqueles que acreditam em Deus não podem ser escanteados sob a alegação de um termo que sequer existe na Constituição: o “Estado laico”. O que a Carta Magna estabelece, em seu artigo 19, é que as instituições públicas e as religiosas são esferas diferentes, cada uma com seu próprio estatuto. Isso não significa que o cidadão de fé esteja impedido de opinar e manifestar suas convicções de ordem moral, ética, familiar e profissional para o bem da nação.
Trata-se da liberdade na sociedade, a ser respeitada pelos Poderes para que, após a histórica luta que travamos na OAB, de 1979 a 1984, período em que fui conselheiro da instituição para restabelecer uma autêntica democracia no Brasil, não vejamos a liberdade manietada com a banalização de prisões e o receio das pessoas em falar.
O nosso “Trincheira da Liberdade” objetiva, por meio de grandes autores, empresários, economistas, juristas e jornalistas, reunir aqueles que desejam que o Brasil volte a ser a democracia sonhada na Constituição Federal de 1988, como declara seu relator, o senador Bernardo Cabral, a qual Ulysses Guimarães chamou de “Cidadã”.
O propósito é termos novamente, aqui no País, uma democracia na qual as ideias de esquerda e de direita sejam apresentadas em um debate elevado, e não sob o pálio do discurso do ódio.
O título do segundo livro é “Equívocos e Fragilidades da Reforma Tributária do Consumo”. Este eu coordeno com o economista Marcos Cintra e com Filipe Silva.
A obra reúne mais de uma trintena de autores, todos abordando os enganos e erros que estamos detectando no atual texto da reforma tributária. Os artigos apontam como teríamos de corrigir determinados pontos e discutem o amesquinhamento da federação em um cenário no qual ela será reduzida e dominada por um conselho gestor em Brasília.
A análise rigorosa da ordem jurídica e tributária não constitui mero exercício acadêmico, mas necessidade urgente para salvaguardar a segurança jurídica e a autonomia dos entes federativos. Sem diretrizes técnicas claras, as reformas estruturais correm o risco de desfigurar os pilares que sustentam o equilíbrio entre os Poderes e a livre iniciativa.
Propomos, por meio desta união de mentes brilhantes, resgatar o espírito de conciliação nacional, essencial para o fortalecimento das nossas instituições. A verdadeira maturidade política de uma nação se manifesta quando o conhecimento especializado serve de farol para iluminar as decisões coletivas, superando radicalismos e paixões partidárias efêmeras.
Nossa meta é ter os dois livros publicados ainda em agosto, antes do período eleitoral, para permitir que o eleitor e todos aqueles que se interessam por esses temas possam ler as diversas posições de múltiplos autores e, assim, tomar uma decisão consciente entre as propostas que os candidatos apresentarão para o pleito de outubro, que elegerá o Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Esperamos, dessa forma, junto a todos os nossos amigos e coautores, dar uma sólida contribuição de cidadania para pensarmos o Brasil de forma racional, técnica e soberana. O objetivo é buscar a melhoria real do País, independentemente de disputas que visem meramente ter poder.
Trata-se de uma proposta de cidadãos, e não daqueles que almejam apenas conquistar o governo. Afinal, a função do cidadão é lutar por seu país para consolidar a verdadeira democracia, que é o que de fato constrói uma grande nação.
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 1ª Região; professor honorário das universidades Austral, da Argentina, San Martin de Porres, do Peru, e Vasili Goldis, da Romênia; doutor honoris causa das universidades de Craiova, na Romênia, e das PUCs PR e RS; catedrático da Universidade do Minho, em Portugal; presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP; ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
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