Campo Grande (MS), Sábado, 06 de Junho de 2026

Política / Investigação

PF avalia pedir aos EUA quebra de sigilo de fundo ligado ao filme “Dark Horse”

Investigadores apuram se parte dos recursos enviados por Daniel Vorcaro foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

06/06/2026

07:30

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A Polícia Federal pretende pedir às autoridades dos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo que teria recebido recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, teria recebido parte dos R$ 61 milhões destinados ao financiamento da obra. A estrutura é administrada por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Uma das linhas de apuração da PF busca verificar se os recursos foram efetivamente usados na produção do filme ou se parte do dinheiro teria servido para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

Também há suspeita, ainda em fase de análise, de possível relação entre a movimentação financeira e a atuação atribuída a Eduardo no exterior para pressionar autoridades brasileiras por meio de interlocuções com integrantes do governo norte-americano.

Segundo informações já reveladas em apurações anteriores, recursos da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao dono do Banco Master, teriam sido enviados ao fundo no Texas como parte do alegado patrocínio ao filme. Reportagens apontam que o Havengate Development Fund recebeu recursos de empresa ligada a Vorcaro e passou a ser uma das frentes de interesse da investigação. 

Para que a quebra de sigilo seja realizada, será necessária cooperação jurídica internacional entre o Brasil e os Estados Unidos, além de autorização da Justiça norte-americana.

A Polícia Federal também pretende utilizar a Difusão Prata da Interpol em investigações relacionadas ao caso Banco Master. Diferentemente da Difusão Vermelha, usada para localização de foragidos, a modalidade prata tem como objetivo identificar, localizar e permitir a retenção de bens e patrimônios de pessoas investigadas.

O Brasil está entre os países que aderiram à iniciativa da Interpol, voltada ao rastreamento de ativos ligados a crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Em entrevista à GloboNews, na última terça-feira (2), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou ver necessidade de abertura de um inquérito específico para apurar o envio de recursos de Daniel Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiar “Dark Horse”.

Segundo Andrei, a PF analisou representações encaminhadas ao órgão nas últimas semanas e enviou uma delas à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação sobre o conteúdo, o foro adequado e a definição do relator.

Questionado se a investigação deveria tramitar separadamente das demais apurações envolvendo o Banco Master, o diretor-geral respondeu que, no entendimento da área técnica da PF, sim.

Andrei Rodrigues afirmou que há três possibilidades para o caminho das apurações. A primeira seria anexar o caso às investigações do Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A segunda hipótese seria encaminhar o caso ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A terceira possibilidade seria a distribuição livre, por sorteio, a outro ministro do Supremo.

O pedido de quebra de sigilo nos Estados Unidos só deve ser apresentado caso a PF obtenha autorização do STF para abertura de um novo inquérito.

No último dia 26, Alexandre de Moraes pediu manifestação da PGR sobre a possível inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Quando foi revelado o financiamento de “Dark Horse” com recursos ligados a Daniel Vorcaro, o senador afirmou, em nota, ser falsa a insinuação de que valores tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro.

Segundo Flávio, os aportes teriam sido direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

Paulo Calixto não tem se manifestado publicamente sobre o caso.

A apuração segue em fase preliminar e ainda depende de decisões do STF, manifestação da PGR e eventual cooperação das autoridades norte-americanas.


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