Justiça / Política
Justiça determina prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli
Luan Araújo teve pena convertida em prisão após não pagar indenização em processo de difamação contra a ex-deputada
05/06/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Justiça de São Paulo determinou a prisão do jornalista Luan Araújo, conhecido nacionalmente após ser perseguido com arma de fogo pela então deputada federal Carla Zambelli, em 2022. A ordem foi expedida por causa do não pagamento de uma indenização fixada em processo no qual ele foi condenado por difamação contra a ex-parlamentar.
A decisão é do juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, na capital paulista. Segundo o magistrado, o jornalista não cumpriu a prestação pecuniária imposta pela Justiça, o que levou à conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade. O cumprimento deverá começar em regime aberto.
O valor cobrado de Luan Araújo, já com atualização, multas e custas processuais, passa de R$ 2,2 mil. A condenação teve origem em publicações feitas pelo jornalista depois do episódio com Carla Zambelli, nas quais ele usou expressões consideradas ofensivas pela Justiça.
No processo, Araújo foi absolvido da acusação de injúria, mas acabou condenado por difamação. De acordo com a decisão publicada em 1º de junho, a falta de pagamento da indenização foi o motivo para a substituição da pena anteriormente aplicada por prisão.
A Agência Brasil informou que tentou ouvir a defesa do jornalista, mas não obteve retorno até a publicação do material original. Com a nova decisão, o caso volta a ganhar repercussão por envolver o mesmo personagem que foi vítima de uma perseguição armada registrada às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Na ocasião, Luan Araújo e Carla Zambelli se envolveram em uma discussão nas ruas de São Paulo. A então deputada sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista por vias públicas e também dentro de uma lanchonete. As imagens foram gravadas por testemunhas e circularam amplamente no país.
O episódio resultou em condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em agosto de 2025, Carla Zambelli recebeu pena de cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
Além desse caso, Zambelli também foi condenada a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes do cumprimento da pena, ela deixou o Brasil e passou a viver na Itália.
O governo brasileiro solicitou a extradição da ex-deputada, pedido que chegou a ser aceito inicialmente por instâncias da Justiça italiana. No entanto, em maio deste ano, a Corte de Apelação de Roma reverteu a decisão e suspendeu o processo de retorno de Zambelli ao Brasil.
Na prática, a nova ordem de prisão contra Luan Araújo coloca mais um capítulo judicial em um caso que já havia marcado o debate político nacional. A decisão não está ligada diretamente à perseguição armada, mas ao descumprimento de uma condenação por difamação em processo movido pela própria Carla Zambelli.
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