Campo Grande (MS), Terça-feira, 21 de Julho de 2026

Assistência / Renda

Mais de 69 mil famílias deixam o Bolsa Família em MS após melhora na renda

Somente em maio, 2,4 mil famílias saíram do programa no Estado; Campo Grande, Dourados e Ponta Porã lideraram os desligamentos

01/06/2026

13:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Mais de 69,5 mil famílias de Mato Grosso do Sul deixaram o Programa Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após registrarem aumento de renda. Os desligamentos ocorreram depois que esses lares superaram os limites previstos pelo programa, principalmente por ingresso no mercado de trabalho formal ou avanço em atividades de empreendedorismo.

De acordo com dados divulgados pelo Governo Federal, as famílias deixaram o benefício após ultrapassarem os critérios da Regra de Proteção ou concluírem o período permitido de permanência nessa modalidade. O mecanismo foi criado para garantir uma transição gradual, evitando que o benefício seja cortado imediatamente quando há melhora na renda familiar.

Somente em maio de 2026, mais de 2,4 mil famílias sul-mato-grossenses saíram do Bolsa Família. Campo Grande registrou o maior número de desligamentos no mês, com 623 famílias. Na sequência aparecem Dourados, com 163, Ponta Porã, com 90, Três Lagoas, com 89, e Corumbá, com 84.

Entre os dez municípios com maior número de famílias que deixaram o programa em maio também estão Naviraí, com 72 desligamentos, Sidrolândia, com 66, Aquidauana, com 58, Aparecida do Taboado, com 57, e Amambai, com 55.

O movimento observado em Mato Grosso do Sul acompanha a tendência nacional. Desde março de 2023, mais de 5,1 milhões de famílias brasileiras deixaram o Bolsa Família após ampliarem a renda.

Os maiores volumes foram registrados em São Paulo, com 745,6 mil famílias, Distrito Federal, com 546 mil, Bahia, com 487,6 mil, Minas Gerais, com 430,2 mil, e Rio de Janeiro, com 393,7 mil.

Entre as capitais, São Paulo liderou os desligamentos em maio de 2026, com 7.312 famílias deixando o programa. Depois aparecem Rio de Janeiro, com 4.387, Fortaleza, com 3.790, Salvador, com 3.095, e Brasília, com 1.896.

Criada no novo desenho do Bolsa Família, a Regra de Proteção permite que famílias continuem recebendo parte do benefício mesmo após aumento de renda. Atualmente, quando a renda mensal ultrapassa R$ 218 por pessoa, os beneficiários podem permanecer no programa recebendo 50% do valor por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita não passe de R$ 706.

Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os dados indicam que o programa tem contribuído para a inclusão produtiva dos beneficiários.

O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, afirmou o ministro.

Levantamento com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), cruzado com informações do Cadastro Único, também reforça esse cenário. Segundo os dados, 80% das vagas com carteira assinada criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.

Na avaliação de Wellington Dias, os números ajudam a rebater a ideia de que beneficiários de programas sociais evitam buscar emprego formal.

Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, declarou.

Outro indicador citado pelo governo é estudo da FGV Social, que aponta crescimento de 10,7% na renda do trabalho das pessoas mais pobres em 2025, percentual superior à média nacional.

Segundo a pesquisa, o avanço foi impulsionado pela geração de empregos formais e pelos mecanismos de transição previstos na Regra de Proteção do Bolsa Família.

Com os desligamentos, o governo avalia que parte dos beneficiários consegue deixar o programa de forma gradual, sem perda imediata de apoio financeiro, enquanto consolida a nova condição de renda.


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