Campo Grande (MS), Sábado, 06 de Junho de 2026

Política / Eleições

Zema critica Flávio Bolsonaro por cogitar Eduardo no Itamaraty e mira relação com Banco Master

Pré-candidato do Novo chamou declaração de “extremamente infeliz” e defendeu critérios técnicos para cargos em eventual governo

25/05/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta segunda-feira, 25 de maio. Durante participação em encontro de presidenciáveis promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Zema classificou como “extremamente infeliz” a declaração do senador de que poderia indicar o irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo.

Sem citar nomes em parte de sua fala, o ex-governador também fez críticas a pré-candidatos que teriam se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de questionar a indicação de parentes para cargos públicos.

“Achei extremamente infeliz a declaração do pré-candidato falando que o irmão dele, o Eduardo, seria um ministro de Relações Exteriores. Mais uma vez: eu gosto é de gente que tem carreira, que tem competência. Se parente resolvesse esse problema, muita coisa nesse mundo já estaria resolvida”, afirmou Romeu Zema.

Crítica amplia disputa entre Zema e Flávio Bolsonaro

A declaração marca mais um capítulo no embate político entre Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, ambos posicionados no campo da direita e citados no debate sobre a sucessão presidencial.

Zema já havia feito uma crítica pública direta ao senador no dia 4 de maio de 2026, quando afirmou, durante agenda política, que, diferentemente de Flávio, precisou “ralar” e não tinha o “rabo preso”.

O tom da disputa aumentou no dia 13 de maio, após o vazamento de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, o ex-governador mineiro tem usado o episódio para reforçar críticas à relação entre política, interesses privados e escolhas para cargos estratégicos.

Zema defende alinhamento maior com os Estados Unidos

No evento da Amcham Brasil, Zema também defendeu que o Brasil esteja mais integrado ao contexto ocidental e tenha uma relação mais próxima com os Estados Unidos. Segundo ele, o país norte-americano é um parceiro comercial historicamente relevante para o Brasil, mas essa relação teria sido prejudicada nos últimos anos.

Ao tratar do tema, o ex-governador voltou a mencionar Eduardo Bolsonaro, relacionando a atuação do deputado cassado ao chamado tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump no ano anterior.

“Acho que até a ação do irmão do pré-candidato, a mesma coisa, que provavelmente contribuiu para aquela retaliação, o tarifaço que ocorreu ano passado”, disse Zema.

A primeira crítica pública de Zema a Eduardo Bolsonaro nesse contexto ocorreu em 21 de julho de 2025, durante entrevista ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Indicação ao Itamaraty vira novo ponto de tensão

A possibilidade de Eduardo Bolsonaro ocupar o comando do Itamaraty em um eventual governo de Flávio Bolsonaro passou a ser usada por adversários como argumento contra o senador. Para Zema, a escolha de ministros deve priorizar experiência, formação técnica e trajetória compatível com a função.

O Ministério das Relações Exteriores é uma das pastas mais sensíveis do governo federal, responsável pela condução da política externa brasileira, pelas relações diplomáticas e pela representação do país em negociações internacionais.

Ao criticar a indicação de familiares para cargos públicos, Zema buscou reforçar uma imagem de defesa da gestão técnica e de oposição ao uso de critérios políticos ou pessoais na formação de equipes de governo.

Disputa na direita ganha novo componente

As declarações ocorrem em um momento de reorganização do campo político conservador para a eleição presidencial. Romeu Zema tenta se apresentar como uma alternativa de direita com discurso voltado à gestão, eficiência administrativa e responsabilidade fiscal.

Flávio Bolsonaro aparece como nome ligado ao núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo apoio entre setores bolsonaristas e aliados do PL.

Com as novas críticas, Zema amplia a pressão sobre o senador e tenta marcar diferença em relação ao grupo bolsonarista, especialmente em temas como composição ministerial, relações internacionais e eventuais vínculos com empresários investigados ou envolvidos em controvérsias públicas.

A pré-campanha ainda está em fase de articulação, mas os ataques indicam que a disputa por espaço dentro da direita deve se intensificar nos próximos meses.


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