Polícia / Justiça
Em três meses na Agesul, Rudi Fiorese autorizou R$ 15,8 milhões para construtora investigada
Ex-secretário foi preso na Operação Buraco Sem Fim, que apura fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande
13/05/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
No período de pouco mais de três meses em que comandou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), o ex-secretário municipal de Infraestrutura de Campo Grande Rudi Fiorese assinou atos administrativos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda., empresa ligada a empresários presos na Operação Buraco Sem Fim.
A operação foi deflagrada na terça-feira, 12 de maio, pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), e investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital.
Rudi Fiorese, que comandou a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) entre 2016 e 2023, também é investigado e está preso preventivamente. Ele havia assumido a direção da Agesul em 2 de fevereiro de 2026 e foi exonerado pelo Governo do Estado nesta quarta-feira, 13 de maio, um dia após a deflagração da operação.
Segundo o MPMS, a investigação apura suspeitas de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvio de recursos públicos. Os contratos da Prefeitura de Campo Grande que serão analisados somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.
As apurações do Gecoc não envolvem, neste momento, contratações feitas pelo Governo de Mato Grosso do Sul. No entanto, publicações no Diário Oficial do Estado mostram que, entre fevereiro e maio de 2026, Rudi Fiorese assinou uma sequência de atos administrativos relacionados à Construtora Rial.
Entre os atos estão empenhos, reajustes e aditivos para serviços de manutenção de rodovias estaduais em Três Lagoas e Camapuã, além de liberações ligadas à obra de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.
Em fevereiro, foram autorizados valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, novos empenhos somaram mais de R$ 6 milhões. Já em abril, a Agesul autorizou outro empenho de R$ 1 milhão para a obra de infraestrutura em Jaraguari.
O primeiro aditivo identificado após a posse de Fiorese na presidência da Agesul foi assinado em 9 de fevereiro, apenas sete dias depois da nomeação oficial. O documento acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas, elevando o valor total de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões.
O aditivo foi assinado por Rudi Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial e um dos presos na Operação Buraco Sem Fim.
Além do aditivo firmado em fevereiro, Fiorese também assinou termos de renovação excepcional de contratos de 2021 ligados à manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas. As medidas prorrogaram a atuação da empresa por mais 12 meses.
Somados, os contratos atualizados relacionados à Rial chegam a R$ 27,7 milhões. Já os R$ 15,8 milhões identificados correspondem a empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante a gestão de Rudi Fiorese na Agesul.
Os valores efetivamente pagos dependem da execução dos serviços e das etapas de liquidação financeira.
A Construtora Rial é apontada como uma das principais empresas investigadas pela Operação Buraco Sem Fim. O empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam ao menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Mais da metade desse valor teria sido encontrada na casa de Antônio Roberto. Na residência de Rudi Fiorese, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie.
A operação também resultou na prisão de servidores ligados ao setor de tapa-buraco de Campo Grande, entre eles o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, que foram posteriormente exonerados.
Os sete presos tiveram as prisões mantidas nesta quarta-feira, 13 de maio, após o juiz de custódia Francisco Soliman homologar os mandados. Pedidos de liberdade apresentados por parte das defesas não foram analisados na audiência de custódia.
Os advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado, que representam Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, apresentaram pedido de relaxamento de prisão. Eles alegaram falta de acesso aos autos e, no caso de Antônio Roberto, destacaram a idade de 70 anos e o estado de saúde.
A defesa de Rudi Fiorese, representada pelo advogado Werther Sibut de Araújo, encaminhou nota afirmando que a prisão é “desarrazoada” e não condiz com a trajetória do cliente. O advogado também afirmou que ainda não teve acesso aos autos, o que, segundo ele, impede o exercício da ampla defesa e dificulta qualquer questionamento judicial da decisão que decretou a prisão.
A reportagem informou ter consultado o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da assessoria de imprensa, e aguarda retorno.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Alunos da Acadepol reforçam ações do Dracco em investigações contra crime organizado
Leia Mais
Monique Medeiros deixa prisão após perdão judicial no caso Henry Borel
Leia Mais
Estratégia de Trump para América Latina amplia debate sobre militarização e violência regional
Leia Mais
Folha de aposentados do MPMS cresce após corte em supersalários de membros da ativa
Municípios