Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Polícia / Justiça

Em três meses na Agesul, Rudi Fiorese autorizou R$ 15,8 milhões para construtora investigada

Ex-secretário foi preso na Operação Buraco Sem Fim, que apura fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande

13/05/2026

19:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

No período de pouco mais de três meses em que comandou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), o ex-secretário municipal de Infraestrutura de Campo Grande Rudi Fiorese assinou atos administrativos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda., empresa ligada a empresários presos na Operação Buraco Sem Fim.

A operação foi deflagrada na terça-feira, 12 de maio, pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), e investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital.

Rudi Fiorese, que comandou a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) entre 2016 e 2023, também é investigado e está preso preventivamente. Ele havia assumido a direção da Agesul em 2 de fevereiro de 2026 e foi exonerado pelo Governo do Estado nesta quarta-feira, 13 de maio, um dia após a deflagração da operação.

Segundo o MPMS, a investigação apura suspeitas de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvio de recursos públicos. Os contratos da Prefeitura de Campo Grande que serão analisados somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.

Atos assinados na Agesul envolvem contratos com a Rial

As apurações do Gecoc não envolvem, neste momento, contratações feitas pelo Governo de Mato Grosso do Sul. No entanto, publicações no Diário Oficial do Estado mostram que, entre fevereiro e maio de 2026, Rudi Fiorese assinou uma sequência de atos administrativos relacionados à Construtora Rial.

Entre os atos estão empenhos, reajustes e aditivos para serviços de manutenção de rodovias estaduais em Três Lagoas e Camapuã, além de liberações ligadas à obra de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.

Em fevereiro, foram autorizados valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, novos empenhos somaram mais de R$ 6 milhões. Já em abril, a Agesul autorizou outro empenho de R$ 1 milhão para a obra de infraestrutura em Jaraguari.

O primeiro aditivo identificado após a posse de Fiorese na presidência da Agesul foi assinado em 9 de fevereiro, apenas sete dias depois da nomeação oficial. O documento acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas, elevando o valor total de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões.

O aditivo foi assinado por Rudi Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial e um dos presos na Operação Buraco Sem Fim.

Contratos atualizados chegam a R$ 27,7 milhões

Além do aditivo firmado em fevereiro, Fiorese também assinou termos de renovação excepcional de contratos de 2021 ligados à manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas. As medidas prorrogaram a atuação da empresa por mais 12 meses.

Somados, os contratos atualizados relacionados à Rial chegam a R$ 27,7 milhões. Já os R$ 15,8 milhões identificados correspondem a empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante a gestão de Rudi Fiorese na Agesul.

Os valores efetivamente pagos dependem da execução dos serviços e das etapas de liquidação financeira.

Rial está no centro da investigação do Gecoc

A Construtora Rial é apontada como uma das principais empresas investigadas pela Operação Buraco Sem Fim. O empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente.

Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam ao menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Mais da metade desse valor teria sido encontrada na casa de Antônio Roberto. Na residência de Rudi Fiorese, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie.

A operação também resultou na prisão de servidores ligados ao setor de tapa-buraco de Campo Grande, entre eles o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, que foram posteriormente exonerados.

Defesas alegam falta de acesso aos autos

Os sete presos tiveram as prisões mantidas nesta quarta-feira, 13 de maio, após o juiz de custódia Francisco Soliman homologar os mandados. Pedidos de liberdade apresentados por parte das defesas não foram analisados na audiência de custódia.

Os advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado, que representam Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, apresentaram pedido de relaxamento de prisão. Eles alegaram falta de acesso aos autos e, no caso de Antônio Roberto, destacaram a idade de 70 anos e o estado de saúde.

A defesa de Rudi Fiorese, representada pelo advogado Werther Sibut de Araújo, encaminhou nota afirmando que a prisão é “desarrazoada” e não condiz com a trajetória do cliente. O advogado também afirmou que ainda não teve acesso aos autos, o que, segundo ele, impede o exercício da ampla defesa e dificulta qualquer questionamento judicial da decisão que decretou a prisão.

A reportagem informou ter consultado o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da assessoria de imprensa, e aguarda retorno.


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