Justiça / Polícia
Justiça mantém prisão de Alcides Bernal pela morte de Roberto Mazzini em Campo Grande
Ex-prefeito teve o terceiro pedido de liberdade negado; ação penal entra na fase de alegações finais após audiências com testemunhas
03/06/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou o terceiro pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, preso desde o fim de março pela morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini. A decisão foi assinada pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
A defesa havia solicitado a revogação da prisão preventiva após o encerramento da fase de instrução criminal. No entanto, o magistrado entendeu que não houve fato novo capaz de modificar os fundamentos das decisões anteriores que decretaram e mantiveram a custódia cautelar.
Segundo a decisão, o fim da instrução criminal, por si só, não provoca a revogação automática da prisão preventiva. O juiz também destacou que permanecem presentes os elementos de materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, reforçados pelos depoimentos colhidos durante as audiências de acusação e defesa.
O pedido de prisão domiciliar também foi rejeitado. Para o magistrado, o fato de o réu ter mais de 60 anos e apresentar comorbidades não autoriza automaticamente a substituição da prisão preventiva por medida domiciliar. A concessão, segundo a decisão, depende da demonstração de que a unidade penal não oferece tratamento médico adequado.
Com o encerramento das oitivas, o processo entrou na fase de alegações finais. O juiz Carlos Alberto Garcete abriu prazo para que a Promotoria de Justiça apresente sua manifestação final. Em seguida, será a vez da assistência de acusação, formada por familiares de Roberto Mazzini, e, por último, da defesa de Alcides Bernal.
Durante a instrução, mais de 10 testemunhas foram ouvidas. Entre elas estão o filho da vítima, Gabriel Mazzini, o chaveiro que acompanhava o fiscal no momento do crime, funcionários de uma empresa de segurança contratada por Bernal, policiais, vizinhos, o piscineiro do ex-prefeito, uma ex-servidora comissionada da Prefeitura, dois ex-secretários municipais e um delegado amigo do réu.
A família de Roberto Mazzini foi autorizada a atuar como assistente de acusação no processo. O pedido havia sido feito pela esposa e pelos filhos da vítima em abril, mas a habilitação foi deferida somente em 22 de maio, pouco antes da audiência.
Alcides Bernal foi denunciado pela 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. De acordo com a denúncia, o crime ocorreu em 24 de março de 2026, em um imóvel no Jardim dos Estados, que havia pertencido ao ex-prefeito e foi arrematado por Roberto Mazzini em leilão da Caixa Econômica Federal.
Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Mazzini foi ao local para tomar posse do imóvel, acompanhado de um chaveiro. A acusação sustenta que Bernal não aceitava a perda da casa e teria agido por sentimento de vingança, o que levou os promotores a apontarem motivo torpe como uma das qualificadoras do homicídio.
A denúncia também afirma que o crime teria sido cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima, que tinha 60 anos. Posteriormente, o MPMS complementou a acusação e pediu a inclusão de novas circunstâncias, como meio cruel e violação de domicílio.
Após o crime, Alcides Bernal se apresentou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro. O chaveiro que presenciou os fatos foi levado ao Centro Integrado de Polícia Especializada (Cepol) para prestar depoimento.
O processo segue agora para a etapa final antes da decisão que poderá definir se o ex-prefeito será levado ou não a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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