Política / Justiça
Direita de MS evita comentar investigação que liga Ciro Nogueira a Daniel Vorcaro
Presidente nacional do PP é citado pela Polícia Federal em apuração sobre supostos repasses mensais de R$ 500 mil feitos pelo dono do Banco Master
09/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta-feira, colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, no centro de um escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação, que apura supostas fraudes financeiras, provocou silêncio entre os principais nomes da direita de Mato Grosso do Sul.
O Correio do Estado procurou parlamentares da bancada federal sul-mato-grossense ligados ao campo conservador e lideranças da direita no Estado para comentar o caso, mas nenhum deles quis se manifestar publicamente sobre as investigações e a repercussão política do episódio até a publicação da reportagem.
Foram procurados os deputados federais Dr. Luiz Ovando (PP), Dagoberto Nogueira (PP) e Geraldo Resende (União Brasil), que integram a Federação Partidária União Progressista, além dos deputados Beto Pereira (Republicanos), Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon (PL). Nenhum comentou o assunto.
Também foram procurados a senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP e responsável pelo comando da União Progressista em Mato Grosso do Sul, e o governador Eduardo Riedel (PP). Eles também não retornaram até o fechamento da matéria.
No dia em que a operação foi deflagrada, Tereza Cristina, que também é líder do PP no Senado, afirmou que “tudo precisa ser investigado” e defendeu o direito à ampla defesa dos envolvidos.
No dia seguinte à ação policial, porém, lideranças da direita estadual evitaram novas declarações públicas sobre o caso.
O silêncio chama atenção porque parte da bancada costuma se posicionar rapidamente em episódios envolvendo denúncias de corrupção ou operações policiais contra adversários políticos. Desta vez, correligionários de Ciro Nogueira e integrantes de partidos próximos ao PP preferiram não comentar publicamente a investigação.
Na prática, a bancada federal da direita em Mato Grosso do Sul adotou uma postura semelhante à defendida pelo líder do PP na Câmara dos Deputados, Dr. Luizinho (RJ).
Em declaração ao Correio do Estado, o parlamentar afirmou que a legenda apoia integralmente Ciro Nogueira e confia que o senador esclarecerá as acusações.
“A bancada apoia de forma unânime o presidente Ciro Nogueira com a certeza de que ele provará que nada fez de ilegal”, declarou Dr. Luizinho.
O posicionamento serviu como referência para integrantes da direita sul-mato-grossense, que evitam críticas públicas ao comando nacional do partido e preferem aguardar o avanço das investigações antes de avaliar possíveis consequências políticas.
Sobre eventuais reflexos da crise na federação entre PP e União Brasil, Dr. Luizinho adotou cautela. Segundo ele, o tema ainda será debatido internamente pelas lideranças partidárias.
“Durante a semana, conversando com parlamentares da nossa federação, poderemos avaliar melhor os possíveis impactos”, afirmou.
A cautela ocorre porque Ciro Nogueira ocupa posição central na articulação nacional do PP, partido que em Mato Grosso do Sul tem nomes de peso, como Tereza Cristina e Eduardo Riedel.
A quinta fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Segundo as investigações, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais recorrentes de Daniel Vorcaro, no valor de R$ 500 mil. A apuração aponta suspeita de que o esquema envolveria a utilização do mandato parlamentar para beneficiar interesses ligados ao banqueiro.
Além de Ciro Nogueira, a operação teve como alvo Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, que acabou preso durante a ofensiva policial.
As apurações indicam que a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, teria realizado transferências para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada como veículo patrimonial relacionado ao senador.
As informações fazem parte de uma investigação em andamento conduzida pela Polícia Federal. Até o momento, Ciro Nogueira não foi condenado pelos fatos apurados na operação.
O caso deve continuar provocando repercussão política nos próximos dias, especialmente pelo peso nacional do senador dentro do PP e pelos possíveis reflexos na articulação da União Progressista em Mato Grosso do Sul e no Congresso Nacional.
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