Política / Transparência
Base do governo barra pedido de Pedro Kemp sobre repasse de R$ 7 milhões à FIEMS e debate esquenta na Assembleia
Requerimento pedia esclarecimentos sobre convênio firmado pelo Estado com a Federação das Indústrias; proposta foi rejeitada pela maioria dos deputados.
23/04/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual Pedro Kemp (PT) voltou a cobrar explicações sobre o repasse de cerca de R$ 7 milhões à FIEMS e reagiu com críticas à decisão da base governista de barrar, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o requerimento de informações apresentado por ele. O pedido tinha como objetivo obter detalhes sobre a destinação dos recursos públicos, os critérios adotados pelo governo estadual e a justificativa técnica e econômica para o convênio.
A proposta foi rejeitada pela maioria dos parlamentares durante a sessão desta semana, o que impediu o envio formal dos questionamentos ao Governo do Estado. Reportagens publicadas nesta quarta-feira (23) apontam que a votação terminou com ampla vantagem da base governista, mantendo o tema no centro do debate político na Casa.
Ao comentar o resultado, Pedro Kemp criticou a derrubada do requerimento e afirmou que a população tem o direito de saber como os recursos públicos estão sendo aplicados. Para o deputado, a rejeição do pedido enfraquece o papel fiscalizador do Legislativo justamente em um momento em que o Estado enfrenta pressões orçamentárias e dificuldades em áreas sensíveis.
O requerimento havia sido apresentado na semana passada e era direcionado ao governador Eduardo Riedel e ao secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette. No texto, Kemp solicitava informações sobre o objeto do convênio, a base legal do repasse, a origem dos recursos e os critérios adotados pelo Executivo para a transferência à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul.

A rejeição gerou novo desgaste político porque o caso já vinha provocando repercussão desde meados de abril. Antes da votação, o presidente da Assembleia, Gerson Claro (PP), havia admitido que o requerimento voltaria à pauta após pressão de deputados e repercussão pública. Na ocasião, ele diferenciou esse pedido de outras cobranças que envolviam recursos da CNI, afirmando que o convênio com verba estadual era, sim, tema de competência da Assembleia.
Na avaliação de Pedro Kemp, a falta de transparência se torna ainda mais grave diante de relatos de atrasos em pagamentos a hospitais, fornecedores e servidores. O parlamentar sustenta que, em um cenário de restrição fiscal, qualquer destinação de recursos públicos a entidades privadas precisa ser cercada de explicações claras e controle institucional.
Mesmo com a derrota do requerimento, o episódio ampliou a discussão sobre fiscalização, acesso à informação e controle sobre convênios firmados pelo poder público. Para Kemp, o recuo da Assembleia em autorizar o envio das perguntas não encerra o debate e tende, na prática, a aumentar a pressão política por mais esclarecimentos sobre o caso.
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